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Semanário no Papel - Diário Online

 

Diana Baptista

Politico-entretenimento

11 de Janeiro 2019

Nos últimos dias tem-se assistido em Portugal a um fenómeno de “politico-entretenimento” que muita tinta (ou melhor) caracteres digitais tem feito correr. A polémica instalou-se ainda antes do ano começar, com o programa de talentos “The Voice Portugal”, transmitido pela RTP (estação de televisão pública), que coroou como vencedora da sua sexta edição, a concorrente Marvi, uma jovem timorense de 17 anos, cuja família passa por bastantes dificuldades.

O programa, como habitualmente neste tipo de formatos, aproveitou para explorar esse lado mais emotivo da história de vida da jovem e, durante as várias fases, sem família no país, Marvi foi apoiada por vários elementos da embaixada de Timor em Portugal. Numa das emissões chegou mesmo a estar presente Xanana Gusmão, ex-Presidente da República de Timor, para a apoiar.

Até este ponto, nada a apontar. O programa musical apela, depois, ao voto dos portugueses que consagram uma vencedora, à partida, legítima. Ora, seria o caso, não fosse essa mesma vencedora ter sido “repescada” antes da final do programa para integrar o lote dos finalistas. Uma regra introduzida apenas e só nesta edição e, ao que parece, propositadamente. Curiosamente, a concorrente repescada ao abrigo de uma nova regra foi a mesma que ganhou o programa.

Mas as polémicas não ficam por aqui. Outros dois temas estão, também, em “discussão” pelo mundo digital e envolvem, uma vez mais, políticos em contexto de entretenimento.

Mário Machado, conhecido pelas suas associações à extrema-direita, foi convidado de Manuel Luís Goucha no seu programa da TVI, e Marcelo Rebelo de Sousa que, esta segunda-feira (07), decidiu telefonar a Cristina Ferreira para a felicitar pelo seu novo programa na SIC. O Presidente da República justificou, mais tarde, o telefonema com uma entrevista que havia dado ao programa concorrente “Você na TV”, da TVI, dias antes do Natal, dizendo tratar-se de uma questão de equidade. Dias depois, Marcelo voltou a querer “equilibrar a balança” deixando uma mensagem no programa da RTP “Agora Nós” para o convidado e conhecido cantor brasileiro Roberto Leal.

Estará a política (e os políticos) a misturar informação com entretenimento? Audiências com cultura? Ou será que esta vai, cada vez mais, passar a ser a forma de fazer política? É esperar para ver os próximos capítulos.

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