Coimbra  7 de Julho de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

J. A. Ferreira da Silva

Pela boca morre o peixe…

12 de Janeiro 2017

Na reunião da CMC da passada segunda-feira (09), o vereador do pelouro do urbanismo teceu um grande auto-elogio à liderança política exercida por esta maioria sobre os serviços.

Carlos Cidade disse que os tinha conseguido pôr a trabalhar de forma rápida e eficaz na resolução dos problemas dos cidadãos e das empresas. Isto é, estaríamos perante um verdadeiro mar de rosas!

Trata-se de conversa recorrente, sempre embrulhada num grande elogio aos trabalhadores, para contrastar com o que, em seu entender, seriam as críticas injustas feitas pelo vereador do movimento Cidadãos por Coimbra (CpC)…

Azar o dele. Precisamente nesse dia (09-01-2017), foi a deliberação do executivo municipal um assunto relativo a uma comunicação prévia apresentada por determinada empresa sobre obras de urbanização no âmbito de um loteamento. Comunicação apresentada em 22-04-2016. Com insistência em 05-08-2016. Ou seja, com a demora de cerca de 8,50 meses (oito meses e meio)!

A crítica dos cidadãos e das empresas à morosidade na resolução dos seus assuntos é recorrente e, por regra, justa.

A culpa da morosidade é dos trabalhadores municipais? Claro que não é. E o vereador do CPC nunca o disse, tendo antes sempre reconhecido a competência e dedicação da generalidade desses mesmos trabalhadores.

O que determina a morosidade é um conjunto complexo de factores, que têm por base as exigências de uma legislação rígida e, muitas vezes, desadaptada da realidade, a insuficiência de pessoal e da sua formação permanente, bem como a falta de liderança política que contribua para simplificar procedimentos, tendo em vista o interesse dos cidadãos que a eles recorrem. Reconhecê-lo é a melhor maneira de contribuir para que o problema se resolva.

Fazer propaganda e tecer auto-elogios pode ser muito bom para confortar os próprios e agradar aos apaniguados. Mas, seguramente, não é bom para a melhoria dos serviços de modo a que sirvam capazmente os cidadãos, que são a razão de ser das políticas municipais.

 

(*) Vereador de Cidadãos por Coimbra