Coimbra  26 de Maio de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

Páscoa: Paixão, Morte e Ressureição

18 de Abril 2019

Jesus Cristo foi sentenciado à morte porque ousou enfrentar a autoridade romana.

Quis libertar o seu Povo.

Também hoje, no nosso tempo, muitos dos que tentam denunciar injustiças ou estão contra os poderes, usando a sua voz para deixar relatos de todas as formas de escorraçar outros ou de os afastar dos círculos da vida, são banidos ou condenados ao ostracismo pessoal, profissional, familiar ou de vida.

A Paixão de Cristo é esse “labirinto” da vida. As estações que percorreu podem ser o descritivo da vida de cada um e de muitos de nós, principalmente quando caímos e nos conseguimos erguer, além de sermos verdascados – aqui e ali – pelas indecentes figuras de quem não nos sabe amar ou nunca soube perceber-nos em tanta situação que acercou as nossas vidas.

A Morte de Jesus Cristo, por essa condenação que nem o próprio governador dos romanos quis subscrever, lavando as suas mãos, é o significado do que muitos de nós fazemos, quando não somos capazes de tomar decisões, de emitir palavras e juízos sobre casos que envolvem gente do nosso sangue, amigos nossos, colegas de trabalho ou apenas quem encontramos no dia-a-dia, para os defender ou, e pelo menos, terminarmos com sofrimentos…
Quem vira a cara consente. Quem pactua é tão responsável como o que actua contra o outro, desprezando-o e humilhando-o. O Homem não precisa de verdugos, o Homem precisa de quem o alimente espiritual e humanamente para crescer em felicidade, amor e alegria.

A Ressureição do Rei dos Judeus é o entendimento do que, a cada tempo, nos possa parecer a morte sobre as nossas vidas. Temos de reunir forças e a honra para voltarmos a viver. Temos de deixar testemunhos, para atrelarmos palavras de compaixão, para manifestarmos afectos e para, com sorrisos e gestos de acolhimento, revirarmos o que estava para morrer no nosso coração.

Saber acolher os mais desprezados e os mais pobres de espírito é um dever nosso, o de cada Homem e, com especial referência, o de cada Cristão.

Esta Páscoa, a que Jesus viveu, desde a Sexta-feira Santa até ao Dia da sua Renovação de Vida espiritual, é um convite à nossa viragem de Vida…lavar-nos interiormente, limparmos as nossas almas e insuflarmos nos nossos corações um sangue novo que nos faça a uma Nova Vida.

Feliz e Santa Páscoa, recordando que a Cruz, a Dele e a nossa, é sinónimo da nossa caminhada para a libertação humana e espiritual.

Esta mensagem é para todos, mesmo para os que não se alimentam destes episódios histórico-cristãos.

Páscoa - Cristo