Coimbra  12 de Novembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Alírio

Parques de Ciência e Tecnologia – Modelo a considerar

2 de Novembro 2019

Tecnoparques

 

Portugal tem assistido nos últimos anos ao desenvolvimento de Parques de Ciência e Tecnologia.

A natureza destes Parques, encerra em si mesmo um “ambiente próprio”, onde o desenvolvimento de investigação e inovação são marca específica da sua estrutura, que congrega diversas actividades de pesquisa e desenvolvimento em áreas de alta tecnologia, high tech.

Vem isto a propósito da comemoração dos 20 anos de actividade da TecParques – Associação Portuguesa de Parques de Ciência e Tecnologia.

Este desafio que Portugal tem percorrido com os Parques de Ciência e Tecnologia, é sem dúvida uma aposta com perspectivas futuras, mas mais do que isso, trata-se da “construção” de um modelo estruturado para alcançar o sucesso, o rigor, a excelência, assumindo o risco.

Falamos de “projectos âncora”, que poderão ser a base de uma nova estratégia para o desenvolvimento sustentado da Economia Portuguesa.

Vivemos tempos de intensas dúvidas sob o ponto de vista da economia internacional, provocando incertezas em várias áreas da economia nacional, razão pela qual, a acção dos Parques de Ciência e Tecnologia pode ser crucial.

Todos os projectos relacionados com a economia de serviços, a chamada nova economia e os projectos relacionados com a economia tradicional, podem ver também nestes “ambientes”, novas perspectivas e respostas, com inputs e outputs diferenciados e inovadores, em ligação estreita à inovação e ao conhecimento, potenciando o sucesso!

O desempenho de empresas que são uma referência, pode assumir neste contexto um exemplo de destaque, quer seja a Critical Software, quer seja a Innovnano, quer seja a Olympus, para além de muitas outras.

Falamos de uma acção que congrega, potenciando um resultado amplo, em que uma capacidade local e regional, poderá ter o talento de se afirmar no plano nacional e internacional, acima do esperado.

O que perspectivam os Parques de Ciência e Tecnologia, é no fundo experimentar a possível capacidade dos players da economia conseguirem extrair toda a sua capacidade e promover a competitividade, mas numa linha estruturada e com absoluta coerência.

É imperativo seguir esta linha de rumo, com mais ambição e perseguindo a internacionalização, para a criação de mais valor. O crescimento do PIB, por esta via também é importante, porque é um modelo que pode conferir definitiva alavancagem, o que permitirá não só aumentar o número de exportações, mas mais do que isso, aumentar o valor das exportações, incorporando mais valor (inovação, qualidade, etc), no que pode transformar-se numa oportunidade de aumentar também o valor dos salários. Ou seja, com este modelo, poder-se-á pensar não apenas em controlar os custos, mas aumentar Valor!

Não esquecendo também, que Portugal precisa “como de pão para a boca”, de atrair mais investimento, concretamente Investimento Directo Estrangeiro (IDE).

Também a IDI (Investigação, Desenvolvimento e Inovação), na cadeia de valor, deve identificar possibilidades que possam resultar em novos produtos e serviços e garantir o bem estar das pessoas e melhoria da economia.

Em resumo, não precisamos pois, de exemplos como o “Sophia Antipolis” ou mesmo o famoso “Silicon Valley” para perceber que hoje, observando a geografia mundial, o fomento de parques científicos e tecnológicos bem como de incubadoras de empresas mais ou menos sofisticadas são justamente bons exemplos para o desenvolvimento económico bem como no estímulo à promoção do empreendedorismo e da inovação!

(*) Gestor/Investigador em Engenharia e Gestão Industrial

 

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