Coimbra  21 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Campos

Pandemia acelera a mudança no Mundo

11 de Maio 2020

As grandes mudanças no Mundo foram sempre aceleradas por guerras, revoluções ou pandemias.

A revolução do conhecimento no século XXI estava em marcha imparável, criando populismos irracionais, agora acelerados pela pandemia assassina.

É só olhar para o País e ver as mudanças enormes que provocou em dois meses.

As universidades e centros de investigação saíram do seu casulo, aliaram-se a nível internacional e a nível nacional acumulando conhecimento e semeando-o no tecido produtivo. Máscaras, ventiladores, testes laboratoriais, gel desinfectante etc., trabalho, ensino, comércio, informação ou afectos pessoais à distância são frutos amadurecidos pela pandemia.

A revolução do conhecimento, a pandemia e a crise económica são um cocktail explosivo de consequências imprevisíveis.

A robotização, digitalização global, nanotecnologia, inteligência artificial etc. vão mudar o mundo.

A pandemia é só um acelerador.

O grande problema é a desorientação mental que provoca no ser humano, habituado à rotina e ao projecto de vida que no futuro vai ser profundamente alterado.

Ensina a história que após a turbulência, por vezes dramática, nasce um Mundo melhor.

Aos monopólios económicos de concentração da riqueza vão suceder os monopólios do conhecimento.

A liberdade individual e a solidariedade vão depender cada vez mais da governança mundial.

A aprendizagem, durante toda a vida, é um imperativo para acompanhar a revolução em curso onde milhões e milhões de empregos vão desaparecer e milhões ligados a evolução do conhecimento vão nascer.

A pandemia da fome e da pobreza, já existente, infelizmente não tem direito a estados de emergência ou de calamidade pública, mas é fundamental que seja combatida e suportada pelos monopólios económicos e do conhecimento já hoje existentes.

É trágico que, hoje, em países ricos o salário de sobrevivência diária impeça a quarentena para salvar a vida.

No século XXI, muitos optam por morrer vítimas da pandemia para não morrerem da fome.

A informação livre, rigorosa e pedagógica é uma arma poderosíssima na consciencialização das sociedades para que a revolução em curso evoluo no interesse colectivo e não de uns poucos.

Esta pandemia, no século XXI, deve ser uma lição de aprendizagem para que os cidadãos e os povos pensem que estão todos dependentes uns dos outros.

É uma lição para a revolução em curso.