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Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Os enfermeiros e a saúde do Governo

14 de Setembro 2017

A greve dos enfermeiros está, reconhecidamente, a ter uma elevada adesão no Serviço Nacional de Saúde, o que pode ter surpreendido muitos, mas demonstra quanto esta classe profissional estava descontente.

O próprio Governo, que deseja passar a imagem de ser favorável aos trabalhadores, por contraposição ao anterior (PSD/CDS-PP), está incomodado, com o PCP e o Bloco de Esquerda a estarem ao lado dos enfermeiros neste “braço-de-ferro”.

Catarina Martins critica a postura do ministro da Saúde ao longo do processo negocial e fala mesmo em inação do Executivo. Com a proximidade das eleições autárquicas, o Presidente da República preferiu não falar sobre a greve de uma semana.

Segundo o presidente do Sindicato dos Enfermeiros, José Correia Azevedo, os médicos são 14 por cento dos funcionários do Ministério da Saúde e ganham 87 por cento da massa salarial total. Quer isto dizer que os enfermeiros são 33 por cento, portanto um terço e o dobro dos médicos, e junto com os outros profissionais recebem os outros 13 por cento.

Os enfermeiros, uma das profissões que mais emigrantes tem dado, protestam contra a recusa do Ministério da Saúde em aceitar a proposta de actualização gradual dos salários e de integração da categoria de especialista na carreira.

O actual Governo está a ser “vítima” da mensagem que passou, com o apregoado fim da austeridade e da devolução de rendimentos, convencendo muitas classes profissionais de que as remunerações não dependem da produtividade, mas da luta política.

 

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