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Rui Avelar

Ocasião dita a remodelação

18 de Outubro 2018

A um ano do final do mandato, António Costa submeteu o XXI Governo à autêntica remodelação, com a particularidade de aproveitar um percalço do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, para substituir os da Saúde, Economia e Cultura, respectivamente, Adalberto Campos Fernandes, Caldeira Cabral e Castro Mendes.

Azeredo Lopes, incapaz de compreender o alcance do furto ocorrido nos paióis do Exército em Tancos, protagonizou três anos de deslumbramento.

Adalberto Campos Fernandes, tecnicamente apetrechado para sobraçar a pasta da Saúde, não conseguiu afirmar-se como governante digno desse estatuto.

Sob o olhar da opinião pública, Castro Mendes, que substituíra João Soares, e Caldeira Cabral não tinham existência do ponto de vista político.

Não se pense ser fácil executar uma autêntica remodelação governamental sem risco de se tornar um acto falhado, pois ela assenta em três pressupostos.

Em primeiro lugar, os novos ministros não podem desmerecer em relação aos substituídos; em segundo, os convites têm de possuir o mérito de aplacar a ambição de quem se julga ministeriável; em terceiro, é conveniente que quem sai não incentive «ruído» prejudicial à acção dos governantes.

Aproveitar a inadiável rendição de Azeredo Lopes (cujo sucessor é João Gomes Cravinho) para substituir os ministros da Saúde, Economia e Cultura (respectivamente, por Marta Temido, Pedro Siza Vieira e Graça Fonseca) é um lance politicamente relevante.

De resto, António Costa fez isto tirando partido de Pedro Siza Vieira, que era ministro adjunto, para lhe confiar a pasta da Economia, como, há um ano, já recorrera ao então ministro adjunto Eduardo Cabrita para substituir Constança Urbano de Sousa no Ministério da Administração Interna.

Como Pedro Siza Vieira não pode tutelar o segmento da Energia, devido a incompatibilidade decorrente do seu anterior desempenho como advogado, o sector transitou para a alçada do ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes. Pelo caminho, Jorge Seguro Sanches (primo do anterior líder do PS) deixou de ser secretário de Estado da Energia, constando que possuía excesso de opiniões pessoais para coadjuvar um ministro.

Se com a remodelação na Saúde, o primeiro-ministro parece querer retirar de cena um rosto muito contestado, não se pode esquecer tratar-se de um dos sectores que, no Orçamento do Estado para 2019, não será sujeito a cativações, assinala a jornalista (da Agência Lusa) Luísa Meireles.

 

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