Coimbra  19 de Setembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

José Belo

Observatório sobre as políticas da cidade (I)

9 de Julho 2019

Resolveu, e bem, o PSD local, através dos seus dirigentes, abordar alguns temas importantes sob o mote “ Sonhar Coimbra”, perguntando-se: E agora Coimbra?

A ideia é construir um programa que possa ir a votos nas próximas eleições autárquicas.

Daí esta preocupação natural de proceder a uma recolha de opiniões, o mais alargada possível, de personalidades de reconhecido mérito e competência, capazes de debitar “material informativo” sobre questões que o cidadão comum sente a precisar de reflexão e solução.

É que cada vez mais a sociedade e a economia são urbanas, constituindo-se os grandes espaços como locais privilegiados de qualidade de vida, influenciando, nesse domínio, as suas redondezas e no facto de, por si só, poderem atrair os protagonistas da dinamização económica e do progresso cultural e social.

Contudo, apesar deste potencial de boa esperança em melhorias no Concelho, há nele alguns problemas resultantes das dinâmicas de uma exigente e informada vida moderna.

Se pensarmos nisso constatamos que a lista é longa.

Ao correr da pena, penso no parqueamento em certas zonas da Cidade, o custo da habitação, nas zonas urbanas e suburbanas, os problemas com o nosso rico património, a solidão existente em largas faixas da população, a marginalização social e o desemprego, a dramática questão da queda demográfica jovem, que é só a maior a nível nacional, e que, entre 2001 e 2018, atinge 54 por cento dos jovens residentes, entre nós, na faixa etária dos 25 aos 29 anos, como salientou o Movimento “Somos Coimbra”.

E a lista não pára…

Há, portanto, um longo caderno de encargos, que não se esgota nestas duas reflexões levadas a cabo pela Concelhia de Coimbra, do PSD.

Bastará chamar à colação as grandes questões do enquadramento geral das políticas das cidades, algumas delas já em cima da mesa, como a descentralização, para se consumir grande parte do tempo e da análise que se começou a levar a cabo e que não pode parar.

Mas o caminho faz-se caminhando e, por isso, acredito que deste trabalho de reflexão, agora iniciado, resultarão contributos valiosos para o enriquecimento do programa eleitoral para as próximas eleições autárquicas.

Vai ser um trabalho desafiante, onde se sugere que o primado da intervenção física no concelho perca muito do seu peso, cedendo espaço ao económico e ao social.

Para isso é preciso cada vez menos blá-blá e saber pôr o acento tónico numa base económica plural, sobretudo nos sectores de alto valor acrescentado, no desenvolvimento do capital humano, diminuindo-se as percentagens atrás evidenciadas, no estímulo crescente dos Centros de Investigação, para se poder produzir e criar conhecimento e ao mesmo tempo reter trabalhadores altamente qualificados para os sectores mais avançados da economia; é incontornável uma adequada estratégia de desenvolvimento local capaz de mobilizar o que de melhor e mais ambicioso temos entre nós .

Em síntese, a política que queremos para Coimbra/concelho tem que ser pensada, avaliando um contexto sistémico de articulação das suas várias dimensões, assentes nos seus principais caibros físicos e ambientais e pelos factores imateriais de competitividade, mas, também, pelos efeitos, directos e indirectos, nas pessoas e na sua qualidade de vida, de forma a elas sentirem que as desigualdades e assimetrias fazem genuinamente parte das preocupações dos que querem eleger.

O desafio de se querer assumir uma nova atitude da gestão urbana e territorial está lançado.

Aproveitando a embalagem não seria de criar um “Observatório sobre as políticas da nossa cidade”, capaz de ir fazendo a triagem de experiências inovadoras num processo de verdadeira avaliação estratégica acerca do que se quer para Coimbra/concelho, nos próximos 10/20 anos, no que diz respeito às políticas intraurbanas e interurbanas e à sua relação com as políticas regionais e nacionais?

Torna-se incontornável reinventar a política da cidade face às novas exigências com que a sua “gestão” se confronta, sem esquecer que é no nosso quotidiano, enquanto fregueses e munícipes, que se cria ou não a percepção de uma aceitável qualidade de vida, que está directamente ligada à própria qualidade da ambição política de quem nos governa.

Por isso não é presidente de Câmara quem quer, mas sim quem mostre, por palavras e actos, ser capaz de consolidar e enriquecer a identidade urbana e humana da nossa cidade, imprimindo-lhe um desenvolvimento sustentável, que seja, mais do que tudo, inclusivo, saudável, atractivo e inteligente, onde o conhecimento não pare de medrar.

E felizmente que, no PSD de Coimbra, há quadros altamente qualificados, carismáticos, para poderem assumir o privilégio de servir a nossa Cidade se os eleitores assim o decidirem.

(*) Ex-vereador da Câmara Municipal de Coimbra do PSD

 

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