Coimbra  24 de Outubro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Madalena Abreu

Obrigado aos que me acompanharam

24 de Setembro 2021

Estou a finalizar o mandato da vereação sem pelouro na Câmara Municipal de Coimbra, eleita pelo PSD nas eleições autárquicas de 2017.

Hoje, quero agradecer todo o apoio que recebi ao longo deste caminho. É este o propósito deste artigo: mostrar a minha gratidão pela nobre função que fui chamada a desempenhar, agradecendo a todos quantos me acompanharam de tantas formas ao longo destes 4 anos. E aqui inclui a Direcção, os colaboradores e leitores deste jornal.

Obrigada Campeão da Províncias! Sim, posso começar este bem-haja pela comunicação social. Todos ouvimos repetidamente a máxima de que a comunicação social é essencial a uma democracia saudável (não é por acaso que quando a comunicação social sobre mais com alguma maleita, são as instituições democráticas que ficam logo ameaçadas… de morte!). Mas tenho a confessar de que só estando a trabalhar activamente a partir de um cargo político, consegui experimentar o significado profundo deste princípio! Sim, o jornalismo profissional e isento é oxigénio nas nossas sociedades.

Continuando este percurso gostaria de referir alguns dos pontos onde me cruzei com tantas pessoas que fizeram a minha vida. E posso referir gente das 18 Freguesias do Concelho, dos lugares e eventos que compõem o calendário, das associações, empresas, mercados e feiras, lojas, escolas, hospitais, jardins, restaurantes ou cafés, ou departamentos da Câmara. Durante este tempo, foi um dos privilégios mais satisfatórios eu vivi: ser recebida de braços abertos e ouvir tantos munícipes que querem participar na construção do Concelho, que procuram ajuda para uma comunidade mais florescente, que dão o seu tempo e engenho para a construção do bem comum.

Questões levadas às reuniões

Apresento também um brevíssimo resumo de algumas das questões que levei às reuniões do executivo camarário.

No que se refere concerne à recuperação económica designei a relevância do investimento público na criação de emprego enquanto resposta aos jovens que abandonam a cidade. A criação de emprego e atração de empresas foi também sublinhada como essencial no apoio às famílias mais carenciadas (Quando acabei a minha licenciatura, fui voluntária no país africano de S. Tomé e Príncipe. E este ano de voluntariado, com uma ONG, valeu-me a certeza de que “é mais importante ensinar a pescar do que dar um peixe”).

Ainda neste contexto, foram várias as oportunidades que lutei pela falta de resposta eficaz às empresas que nos procuram. E apotentei a necessidade de desenvolver laços e programas concretos de empresas criativas e na área de cultura: o desperdício das realizações concretas por todo o Concelho é confrangedor! E contestei a pouca resposta do Gabinete de Apoio ao Investidor, Reiterei a urgência da digitalização por todas as freguesias, nas empresas, nas ruas, nas escolas, nos serviços público, a começar pelo próprio edifício dos Paços do Concelho! Na verdade, vi e experimentei nestes últimos 4 anos como a burocracia e a inércia dominam o funcionamento desta Câmara.

Bati-me pela importância do projecto de urbanização e requalificação da Baixa e das margens do Mondego, e defendi marca Coimbra enquanto cidade plena de arte e engenho, e dotada de um património histórico e social inigualáveis. Aquilo que vou ensinando e partilhando com os meus alunos permite ter a certeza de que é fundamental encarar de forma estratégica e coordenada uma cidade. Só assim é possível valorizar as tradições e património, o crescimento da economia, a sustentabilidade ambiental, e o bem-estar dos cidadãos.

Apresentei a vantagem de uma estratégia para o turismo a ser coordenado com a CIM e outros atores relevantes com o Turismo Centro. E, por várias vezes, indignei-me com a falta de estratégia para o Convento São Francisco, questionando porque não analisamos a oportunidade de uma Fundação enquanto modelo de gestão. Aconteceu em várias reuniões manifestar o meu imenso espanto pelo presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), o atual presidente da Câmara Municipal de Coimbra, não estimular a descentralização no Município de Coimbra, quer no seu financiamento quer na transferência de competências. Claro que já há 4 anos sugeria a descentralização das reuniões ordinárias do Executivo, a serem efetuadas periodicamente pelas diferentes freguesias.

Por causa do descuido com o Desporto, como os equipamentos municipais para a sua prática, ou com a falta de apoio às associações desportivas, também tive que levantar o tem de voz! Ou pela educação, como é um exemplo o gigante atraso da carta educativa municipal (site da CMC Carta Educativa do Município de Coimbra 2008/2015).

Fui visitando, ouvindo os seus intervenientes e levando à Câmara, a descrição do estado lastimoso em que encontrava o Mercado Municipal, ou os problemas sucessivos com que foi tratada a localização da Feira das Velharias ou o abandono da Casa da Criança em Taveiro.

Vou finalizar assinalando o que me fez aqui chegar há 4 anos… a acção social… Foi com extraordinário gosto que visitei associações e observei as suas necessidades, mostrando os exemplos das associações da sociedade civil que constroem o que falta a esta câmara ousar e fazer acontecer. Fico sempre encantada com o que vejo acontecer pela ação social, pela proximidade, relação e cuidado.

É comum perguntarem-me se valeu a pena, se soubesse o que sei hoje se voltaria a aceitar este desafio. Sim! E sim, foram 4 anos de muito esforço e trabalho. Mas de intensa aprendizagem e sentimento de serviço e gratidão.

A todos vocês a meu imenso obrigada!

(*) Vereadora sem pelouro na CMC do PSD, 2017-2021