Coimbra  27 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Diana Baptista

O poder das “fake news” e o dever da comunicação social

15 de Fevereiro 2019

Correu, nesta última semana, uma publicação na rede social Facebook, que rapidamente se tornou viral (foi partilhada mais de 42 000 vezes). Tratava-se de uma imagem de um homem entubado, numa cama de hospital e com ar perdido, acompanhado de um texto que dizia: “Pedido de ajuda urgente! Este homem deu entrada hoje no Hospital Beatriz Ângelo, em Guimarães, sem qualquer tipo de identificação e com aparente perda de memória. Partilhem para que possamos encontrar a família!”.

O ritmo frenético dos dias, a velocidade a que se “lê” cada publicação online mas não se compreende, nem se reflecte sobre o que está escrito e, no caso concreto, algum desconhecimento em relação ao mundo televisivo e cinematográfico, fez com que o apelo desesperado fosse propagado milhares de vezes, sem que a grande maioria não desconfiasse da sua veracidade.

Ora, toda esta história (como tantas outras na Internet) seria totalmente plausível, não fosse toda ela falsa.

Facto n.º 1 – o homem que aparece na imagem é o actor norte-americano Andrew Lincoln, a interpretar a sua personagem mais emblemática Rick Grimes, da série de televisão “The Walking Dead”; Facto n.º 2 – o Hospital Beatriz Ângelo não se situa em Guimarães, mas sim em Loures.

A descrição da situação é, de facto, sobre a personagem televisiva, que no caso, está num hospital sem identificação e com perda de memória, mas isso não significa que seja real e esta foi, claramente, uma brincadeira de alguém, que em menos de nada se transformou numa história verosímil para milhares de pessoas.

Hoje, mais do que nunca, e mesmo sem ter acesso a todas a informações, os cidadãos têm de saber separar o trigo do joio, a ténue linha que divide a verdade da mentira, procurar distinguir a falsidade da veracidade. E esse é, também, o papel da comunicação social, que, uma vez mais se prova, não pode nunca ser substituída pelas redes sociais como fonte de informação séria, rigorosa e fidedigna.

Foram, de resto, alguns órgãos de comunicação que revelaram a “trapaça” do autor e o estado de, cada vez mais, acefalismo da sociedade actual.

18 - Vina Facebook

A imagem que circulou do actor norte-americano e que um internauta quis fazer passar por um doente real, num hospital português, com amnésia

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