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Mário Carvalho

O número mágico de 580 euros

19 de Novembro 2018

Quinhentos e oitenta euros, actual valor do salário mínimo nacional, é o número para se poder aferir o desempenho político de quem tem estado à frente dos desígnios de Portugal.

E não importa se é de Esquerda, do Centro ou de Direita. Nem tão-pouco achamos que, na actualidade, exista em Portugal uma “Esquerda radical” e/ou uma “Direita radical”.

Esqueçam esse discurso retórico e demagógico do combate político. Nem o PCP e o BE são de Esquerda radical nem o CDS-PP é de Direita radical. Isso é conversa para enganar tolos e só absorve quem quiser.

Nos “entre tantos”, continua a discussão classista de colocar aqui ou ali determinados grupos sociais com base nos rendimentos que auferem. Principalmente, no que toca à definição de “classe média”, que é vista como o grande sustentáculo e indicador do funcionamento “disto tudo”.

Se tivermos em conta que os vencimentos médios mensais da maioria das pessoas, em termos estatísticos, anda na ordem de 700 / 800 euros, ficamos com dificuldade em perceber por que razão algumas vozes políticas defendam chamar de “classe média” àqueles que ganham entre “800 e 2 000 euros por mês”. Até parece que ganhar cerca de 800 euros é semelhante a ganhar à volta de 2 000 no mesmo período de tempo. Não é! E, como diria o outro, é só “fazer as contas”!

Assim sendo, a classe política dominante em Portugal continua a utilizar o discurso das contas públicas para justificar a sua própria incapacidade de dar uma vida digna a grande parte dos portugueses.

Em nosso entender, e longe das grandes discussões intelectuais e conceptuais sobre economia, politicamente ninguém pode clamar vitória perante o número que aqui apresentamos. E, esse sim, é um número simples, que deve servir como ponto de partida e comparação de tudo o resto.

Quando os índices de corrupção em Portugal sobem a determinados níveis e a rendição de quem nos tem governado a determinados sectores da economia (…) é o que se sabe, obviamente que a credibilidade dos actores políticos desce em igual proporção.

Acresce, que, por vezes, temos também dificuldade em entender tanto alarido social por parte daqueles que usufruem de um nível de vida bem acima da média, mas cuja ambição desmedida os leva a querer ganhar mais e mais, fragilizando pela base a possibilidade da construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais democrática, mais igual.

Assim sendo, a nossa licitação começa nos 580 euros por entendermos ser um número vergonhoso para um país que se assume como “desenvolvido”… e da “Web Summit”!

Afinal de contas…, quem dá mais?

(*) Autarca do PS