Coimbra  26 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

O movimento associativo em debate na ACM de Coimbra

19 de Janeiro 2018

No passado dia 11, pelas 21h30, realizou-se no salão nobre da ACM-Coimbra, o primeiro de vários debates que a instituição pretende levar a efeito durante o presente ano. O ciclo, agora iniciado, integra-se no programa do centenário e tem como lema “A ACM na cidade”.

A abertura esteve a cargo de Teresa Portugal, vice-presidente da Direcção da ACM, que realçou o facto da instituição «interagir intrinsecamente com a cidade». «É isso que queremos assinalar, é o nosso ponto de reflexão, de partida», referiu.

O debate, moderado pelo jornalista e professor Jorge Castilho, contou com a presença dos principais representantes de associações culturais, recreativas e desportivas de Coimbra, todas elas com papel relevantíssimo na vida da cidade: Olivais Futebol Clube (Jaime Silva), Centro Norton de Matos (João Rafael), Clube de Futebol de Santa Clara (Álvaro Seco), Associação Cultural e Recreativa de Coimbra (Afonso Lázaro Pires) e, na qualidade de anfitriã, a ACM (Fausto Carvalho).

Ao longo de três horas, a atenta plateia, pôde assistir ao debate em torno do passado, do presente, mas também do futuro que se pretende para as associações de Coimbra.

De facto, e após a apresentação pela via monográfica e audiovisual, da origem de cada instituição, passou-se à apresentação das actividades desenvolvidas, espelhando de forma eloquente o impacto social, cultural, recreativo e desportivo de diversas modalidades no contexto mais vasto do movimento associativo municipal e regional.

O momento foi, também, aproveitado para recordar atletas, dirigentes, instituições, factos e momentos decisivos na construção de cada associação, bem como da relação com outras instituições da cidade, dos futricas aos salatinas, das elites às classes populares, da Associação Académica à dinâmica entre o centro e a periferia.

O debate entre os convidados acabaria por traduzir não só as necessidades sentidas e vividas por cada agremiação, mas, também, a urgência em alterar as políticas e medidas para a área associativa, designadamente: a necessidade de definir uma política global de gestão de todos os espaços desportivos (assinalada por Jaime Silva); a desigualdade de tratamento entre as colectividades aquando da atribuição de subsídios, com prejuízos para as que possuem instalações próprias, que têm de pagar despesas acrescentadas, em face das que usam equipamentos municipais (focado por Fausto Carvalho); a dificuldade em cobrar quotas, mesmo que de baixo montante, revelando o afastamento das pessoas da vida associativa (Álvaro Seco); a importância da estabilidade directiva como motor de desenvolvimento associativo (João Rafael); ou a dificuldade em gerar talentos com poucos recursos (Afonso Lázaro Pires).

Passava já da meia-noite quando o debate terminou, após salutar troca de opiniões e informações entre convidados e plateia. Jorge Castilho, em jeito de balanço, procurou traçar as principais conclusões a retirar do evento: «Todas as associações desempenham papel meritório, que não é devidamente reconhecido, e que se fosse procurado o equilibrio estaríamos mais próximos de uma sociedade ideal».

(*) Historiador e investigador

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com