Coimbra  24 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

O mito dos carros eléctricos

28 de Fevereiro 2019

carros electricos

Anda tudo embebedado com o mito dos carros eléctricos como se isso fosse a salvação para o mundo e para o meio ambiente. A propósito dos desafios da mobilidade eléctrica que vai trazer especialistas a Coimbra.

Que é preciso fazer qualquer coisa e tomar decisões drásticas, a bem do planeta, do clima, da qualidade do ar, da preservação do mar e da água e do ambiente em geral… lá isso não haja dúvidas.

Mas a qualquer preço, de rompante e de uma penada não se avalia como razoável nem que possa alterar a actual imagem e as consequências nefastas que estamos, por via da poluição, a introduzir na esfera e na bioesfera. Até porque os buracos, até o do ozono, têm uma certa dimensão.

Uma viatura eléctrica, por causa das suas baterias, pode poluir mais que um veículo a gasolina. Os estudos estão aí e não têm a minha chancela, até porque não sou técnico do sector.

Do que pesquisei posso deixar para nossa reflexão:

Um estudo feito pelo IVL (Instituto Sueco de Pesquisa Ambiental) demonstra que a simples produção das baterias tem um impacto ambiental semelhante a conduzir um automóvel a gasolina durante vários anos.

A simples produção das baterias de lítio corresponde a emissões de 150 a 200 kg de dióxido de carbono por cada kWh de energia gerada pela bateria. Isto significa que um Tesla com bateria de 100 kWh, a bateria com maior capacidade de armazenamento no mercado, já enviou 15 a 20 toneladas de CO2 para a atmosfera. Um automóvel a gasolina com emissões de 120 g/km, que já não está na lista dos mais ecológicos, necessita de percorrer 125 000 quilómetros para emitir a mesma quantidade de dióxido de carbono.

Carlos Tavares, o português presidente da PSA Peugeot-Citroen, em artigo publicado recentemente – sendo um entrosado no meio, portanto, com interesses, a sua voz não pode deixar de ser afastada da discussão – discordava do facto de serem os Estados a arcar com algumas responsabilidades – comparticipação na compra de viaturas, pagamento de áreas para carga (excessivamente caras) e subsídios/fundos para se reequiparem instalações da indústria automóvel – pela mudança de paradigma da circulação automóvel, ou seja, pela alteração de combustíveis fósseis em energia, atendendo ao diminuto número, à escala planetária, de cidadãos que têm acesso ao elevado preço de carros deste novo tipo.

Mas esse nosso concidadão foi mais longe na sua dissertação, a propósito, dos benefícios da mudança que alguns Estados estão a patrocinar.

Deixou questões, como a que nos remete para a frota marítima dos países, com um número gigantesco de embarcações. Só no que concerne a petroleiros podemos afirmar que existem, a nível mundial, uns 900 a 1 000 barcos desse género. E porta-contentores, uns 6 000.

E para se ficar com uma ideia do quanto poluem fiquem com este impressionante número: um porta-contentor médio deve gastar, entre a China e o Norte da Europa, a brutalidade de 5 000 toneladas de combustível.

O litium, de que se recheiam as baterias dos veículos eléctricos, ligeiros ou pesados, além de trazer peso, acarreta problemas gravíssimos, de que ressalto o facto de, e em caso de incêndio, não ser possível extingui-lo e de, depois da vida útil, ter de ser“sarcofagozizado”…

Não podemos embarcar só por ouvirmos falar. É preciso, mas com coerência e muita consciência, a que se deve juntar a ética e a moral, trazer ao diálogo e à discussão este tema tão urgente como emergente no contexto das políticas mundiais de preservação do ambiente para salvarmos a vida e o planeta, assim como acalmarmos as condições atmosféricas…

 

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