Coimbra  25 de Novembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

José Belo

O jornalismo local e as eleições autárquicas

23 de Janeiro 2017

Aconteceu, há escassos, dias o IV Congresso dos Jornalista Portugueses.

A presidente do Congresso, Maria Flor Pedroso, assinalou, no seu brilhante discurso, que importa dar, de novo, sentido e densidade a palavras como independência, credibilidade, rigor, pluralidade, isenção e imparcialidade, que não podem ser só substantivos que se usam no quotidiano da responsabilizante profissão de jornalista.

Ao ler isto, pensei logo nas próximas eleições autárquicas e nas responsabilidades decorrentes dos princípios ético-deontológicos do jornalismo e das melhores práticas do desempenho e da regulação da profissão, num contexto muito particular do exercício da nossa democracia.

É que todos sabemos a responsabilidade acrescida da comunicação social no processo eleitoral autárquico, que se avizinha…

É que ela torna-se um dos meios mais importantes de fazer chegar aos eleitores as mensagens daqueles que querem ser eleitos locais.

É fácil perceber porquê: a comunicação política municipal, por razões da sua própria natureza, dá espaço especial à informação sobre as realidades concelhias.

Chegados aqui. adivinha-se, facilmente, que esta vocação de formar e informar os munícipes tem efeitos impressivos na modelação das suas opções e no próprio sentido do seu voto.

Para além disso, a sua acção junto das populações é fundamental para o próprio fomento da cidadania.

Por outro lado, a proximidade leva a que, muitas vezes, os factos relatados e a forma como são relatados estejam de mãos dadas com os próprios autores e as suas circunstâncias, criando-se uma exigência de rigor e sensibilidade particulares nos jornalistas.

Daí se reclamar cuidado e a melhoria na proporcionalidade dos relatos, na sua objectividade e subjectividade, coisa que, às vezes, não se vê, pois, sobre o mesmo tema, a uns se dispensa duas ou três pequenas linhas e a outros se dá, à estampa, verdadeiros lençóis, onde cabe tudo e mais alguma coisa.

Este alerta tem o objectivo de lembrar que os assuntos políticos, a tratar ate às eleições, reclamam especial maturidade e abertura equitativa entre todos os partidos e/ou movimentos.

As pessoas gostam de saber porque se critica, por exemplo, a Câmara e não apenas as declarações de membros do executivo municipal a tentar explicar o que está a acontecer, quer se trate do alcatroamento adiado da rua….X ou Z…, do problema das refeições «azedas», do «veneno» do ar nas escolas, etc, etc.

Vale a pena o esforço, e tal não vai ser difícil, julga-se, porque, tirando um ou outro caso, temos visto, ao longo dos anos, os jornalistas a saber despir eventuais camisolas de quem quer que seja e assumir ser parte de uma Imprensa, local e regional, livre e independente, ao serviço do interesse público.

“Dono disto tudo”

Estou certo que, neste ano de 2017, vamos continuar a ter os nossos jornalistas locais a exibir, globalmente, de forma refinada, o seu estatuto de independência face aos diversos poderes instituídos, pautando-se pela imparcialidade e pelo rigor, proporcionando espaços equilibrados de debate e partilha de opiniões, em obediência à sua deontologia e à protecção inafastável da diversidade e do pluralismo.

Tudo isto, num contexto, onde, apesar da proximidade entre jornalistas, proprietários dos meios de comunicação social e políticos, é preciso continuar a respirar independência e rigor nos espaços comunicacionais; exige-se, aliás, que saibam continuar a estar imunes às eventuais influências unipessoais de um qualquer «dono disto tudo», seja nas acções ou habilidosas omissões, que também têm grande importância.

Estou certo de que os nossos jornalistas saberão afirmar e cumprir o sentido e a importância desta nobilíssima profissão, neste especial período até às eleições autárquicas.

Janeiro é já um ponto de partida para a equidade, isenção, imparcialidade e pluralidade.

No final, vamos contar ao que aconteceu até Setembro, em termos de proporcionalidade e “tempos de antena”.

Arriscaria dizer que as coisas vão bater certas… sem golos mal anulados, grandes penalidades forçadas ou offsides escandalosos. Espero bem que sim!

(*) Vereador do PSD na CMC