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Semanário no Papel - Diário Online

 

Adérito Machado

O fim da vida

8 de Fevereiro 2017

Como cidadão consciente não podia deixar de reflectir e contribuir para o debate público sobre um assunto que muito nos diz respeito que é a vida, ou o fim da vida. Assim, a eutanásia é uma das mais polémicas questões em debate nos nossos dias. Este debate afecta, por vezes, relações familiares, a relação médico-doente e os mais elementares princípios éticos e sociais.

Até há bem pouco tempo, o estado americano do Oregon tinha a única lei do mundo que permitia, explicitamente, a um médico prescrever drogas letais com vista a pôr termo à vida do doente, ou seja, permitia o “suicídio assistido”.

Na Holanda, a eutanásia é prática comum há muitos anos, mas só foi legalizada e entrou em vigor a 01 de Abril de 2002. Em 1995 o território norte australiano aprovou a eutanásia. Essa lei entrou em vigor em 1996, sendo anulada passados poucos meses por decisão do parlamento australiano.

A eutanásia é o acto de “matar por misericórdia” para os defensores desse acto, ou seja, é a acção de matar intencionalmente em consciência, invocando compaixão.

Agora pergunto: “Qual a diferença entre a eutanásia e o suicídio assistido?”

Em Portugal, por exemplo, as pessoas habitualmente não são criminalizadas por cometerem suicídio, já que o suicídio é um acto trágico e de desequilíbrio psíquico de um indivíduo.

A eutanásia significa permitir que uma pessoa da relação afectiva ou não facilite a morte a outra, com o argumento de “dar uma morte com dignidade”. A eutanásia não consiste em dar direitos à pessoa que morre, mas sim à pessoa que mata. Em conclusão, podemos afirmar que a eutanásia não diz respeito ao “direito de morrer”, mas ao direito de matar.

Outra questão polémica que pode ocorrer às nossas mentes é: se a morte é inevitável, a pessoa não tem direito a antecipar a morte e cometer suicídio?

É importante perceber que o suicídio de uma pessoa a quem foi diagnosticado uma doença terminal não é diferente de outro qualquer. Muitas vezes são a depressão, os conflitos familiares, o abandono, as dificuldades económicas e de integração social que conduzem ao suicídio, independente do estado de saúde de cada um.

Uma coisa é certa: o suicídio dos doentes terminais ou da população em geral é um triste acontecimento que mata as vítimas, deixando os sobreviventes arrasados.

Sendo a vida a nossa primeira oportunidade, precisamente a de viver, devemos acreditar que enquanto há vida há esperança. Logo será um ato de cobardia pôr termo à vida e uma falta de respeito para com quem nos concebeu e criou – os nossos pais.

Quem vive diariamente o lema dos bombeiros “vida por vida” acredita sempre e até ao fim na vida, sem nunca desistir do outro.

Assim, viver é e será sempre o único caminho da felicidade.

Viva cada dia como se fosse o último e seja feliz!

Pense nisto!… Pensar não dói!

(*) Presidente da Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede