Coimbra  18 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

O comentador/seleccionador português

21 de Junho 2018

Fernando Santos

 

Acho piada, cá para mim, que o nosso seleccionador, o Fernando Santos, se articule com um discurso de crítica, em relação à prestação da nossa equipa.

Fala – parece-me e a muitos portugueses – como fosse um comentador desportivo, desses das nossas televisões. Dos que dão a visão da bola. De como correu a coisa, o jogo. Do comportamento do número tal e do tal. Do posicionamento do jogador A e do B. Da substituição deste e daquele. Do árbitro e da sua fraca manobra no relvado para averiguar os lances. E disto e mais daquilo. Uns, os comentadores, dizem umas coisitas acertadas; outros não se lhes nota rasgo para o pontapé na bola…

O nosso treinador nacional no final do jogo com Marrocos, em que andámos aos papéis, a ver passar a bola e os jogadores adversários, a tentar controlar o esférico e a perceber como é que os homens da selecção desse País do Norte de África progrediam com facilidade, campo acima – mas dizia – Fernando Santos, lá veio com a sua lenga-lenga.

“Perdemos discernimento e confiança. Não consigo perceber…” – deixou dito para que conste.

Ainda mais: “Vamos ter de conversar todos”…

Mas não conversam, nos treinos?

Visivelmente preocupado atirou: “Era importante ganhar obviamente, mas temos que ver e falar. Entramos bem no jogo, depois Portugal perde o controlo do jogo, muitos passes errados, má circulação de bola. Isto é uma bola de neve: uma equipa quando não tem a bola, tem de correr”.

E será que, até segunda-feira, vai perceber que é preciso alterar muita coisa do que adiantou quando entrevistado no final do jogo com Marrocos?

“Eram muito fortes em termos atléticos e tínhamos de sair do espaço, jogar a um ou dois toques, tirar o adversário do sítio. Mas perdemos discernimento. Não consigo perceber, mas vou ter que perceber, obviamente, e falar com os jogadores. Eles não conseguiram circular a bola. Estávamos a jogar pouco com a bola, não a tínhamos. Olhas para o semblante dos jogadores e notas que eles estão incomodados”.

Esta forma de comentar do próprio seleccionador nacional, o do meu País, não me encaixa, não me agrada, não me concede confiança e não me tranquiliza, daqui para a frente.

Mas a fé dele, a do Fernando Santos, já evidenciada no Europeu, que ganhámos sem saber como, talvez com a mézinha e as orações à Sra. de Fátima, pode vir a fazer-lhe jeito e a nós também. Deste lado, e do nosso, só como adeptos e espectadores, que rejubilamos quando subimos ao pódio.

A estratégia seguida não me convence, mas não me cabe, até porque sou treinador de bancada, mandar uns bitaites a propósito do nosso ritmo, da nossa prestação, da nossa presença nos jogos e da nossa forma de nos articularmos no campo.

Fernando Santos deve saber manobrar as “pedras” (jogadores) de que dispõe para, e no próximo dia 25, fazer frente ao Irão de Carlos Queiróz.

Uma coisa é certa: valeu-nos o Cristiano, jóia da coroa da nossa Selecção e, desta vez, o Rui Patrício que, apesar de desenganado com e no Sporting, esteve no seu maior.

Quero um seleccionador a tempo inteiro. O comentador F. Santos que se esconda nos biombos das televisões, mas mais para a frente, depois do Mundial.

Olhe lá ó sr. Eng.º: vou torcer na segunda-feira pelo meu país, Portugal, mas ponha as peças no xadrez da equipa que a possam fazer movimentar rumo à vitória.

 

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com