Coimbra  27 de Outubro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

O centenário da ACM de Coimbra: Programa encerra com “chave de ouro”

18 de Maio 2018
ACM Debate

Debate sobre a Saúde, o Desporto e a Cidade

 

A Associação Cristã da Mocidade (ACM) de Coimbra concluiu, com “chave de ouro”, o seu programa de centenário, iniciado em Janeiro e aberto à cidade, durante o qual promoveu mensalmente debates/conferências intercalados com espectáculos musicais.

O penúltimo evento realizou-se no dia 27 de Abril, pelas 21h30, com a actuação da Orquestra dos Antigos Tunos da Universidade de Coimbra, sob a batuta do maestro Augusto Mesquita e contando com a colaboração do tenor Fábio Borges.

Durante duas horas, com o salão nobre muito bem composto, foram interpretadas peças de Edvard Grieg, Handel, Ennio Morricone/J. Lacalle, Rosalía de Castro/José Niza, Manuel Alegre/António Portugal, Shostakovich, com destaque para a Canção da Emigração e Cinema Paradiso, que arrancaram dos presentes os aplausos mais demorados.

Fausto Carvalho, presidente da Direcção, assinalou o cumprimento da filosofia do centenário, destacando a liberdade de que hoje se usufrui, contrariamente ao tempo da ditadura, em que muitos temas eram proibidos privando a expressão de um sentimento cultural; o musical.

Ofélia Ribeiro, presidente da orquestra, mostrou-se sensibilizada com o convite para se associar ao centenário, realçando o bom entendimento existente entre as instituições, uma vez que a ACM lhe tem cedido espaço para os seus ensaios numa profícua colaboração.

O derradeiro momento do programa do centenário realizou-se a 05 de Maio, pelas 21h30, com o debate «A cidade e a saúde no Desporto», tendo como convidados: Pedro Marcelino (ex-secretário de Estado, advogado na área do Direito Fiscal e CEO da Sanfil) que moderou a sessão; Fernando Regateiro (presidente do CHUC), Páscoa Pinheiro (especialista em Medicina Física e da Reabilitação), o chefe Luís Lavrador (figura ímpar na área da gastronomia) e Nuno Carvalho (advogado e judoca, atleta de alta competição e árbitro internacional).

Ao longo de mais de duas horas de debate analisaram-se diversos problemas correlacionando o Desporto, a Saúde e Coimbra, de que destacamos:

– O CHUC enquanto pólo de referência nacional, uma vez que 50 por cento dos seus utentes provêm de regiões fora do distrito, dada a qualidade das suas múltiplas ofertas/especificidades; a necessidade de se analisar a criação da especialidade (ou unidade) de medicina desportiva no CHUC, uma vez que têm aumentado as lesões em contexto recreativo e desportivo (Fernando Regateiro);

– O sedentarismo e a resposta através da actividade física, exercício físico e desporto, bem como os custos associados, designadamente, humanos e materiais, decorrentes do não combate ao flagelo (Páscoa Pinheiro);

– O valor da gastronomia, as vantagens da boa alimentação, da adopção de um estilo de vida saudável. A importância da dieta alimentar, rica e equilibrada, nos atletas de alta competição; o facto de Coimbra possuir a 1.ª licenciatura do país em gastronomia, envolvendo diversas entidades, como resposta a um pedido do tecido empresarial e que tem continuidade no mestrado em Alimentação (Luís Lavrador);

– A questão do regime do seguro desportivo e as diferenças entre a teoria e a prática: dificuldade em acionar seguros, prática de exercício de forma segura, modelos seguidos pelo sector privado e público; problemas de litigância (Nuno Carvalho).

No espaço aberto ao debate foram analisadas diversas questões, entre as quais: os custos de uma boa alimentação tendo em atenção as dificuldades das associações na sua implementação por falta de recursos; o problema da alimentação em contexto escolar; ou as condições necessárias para iniciar a prática de actividade desportiva.

Em suma, todos concordaram que Coimbra se pode tornar um centro de excelência em termos desportivos, aproveitando o saber das suas joias da coroa (Centro Hospitalar e Universidade), necessitando, porém, de um Plano Estratégico que inclua a questão alimentar como núcleo fundamental.

Terminou, assim, com “chave de ouro”, o programa oficial de centenário (1918-2018) que a ACM de Coimbra ofereceu a toda a comunidade que nele desejou participar. Não significa, no entanto, o fim das comemorações, na medida em que novos eventos se anunciam no horizonte.

(*) Historiador e investigador