Coimbra  25 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Mário Carvalho

O “caos” no SNS

15 de Julho 2019

 

Por estes dias tem sido exacerbada a ideia de que o SNS está um “caos”. Sabendo nós que por definição “caos” significa qualquer coisa que está em “desordem”, então convém esmiuçar um pouco sobre o assunto e das supostas razões que possam levar a tal entendimento. Afinal de contas todos somos parte interessada perante uma instância de capital importância como é a Saúde.

Dito isto, começamos primeiro por nos remeter a uma das leis mais importantes deste nosso Universo, a “teoria do caos”, que segundo a mesma assenta no pressuposto de que “uma pequena mudança no início de qualquer evento pode acarretar consequências enormes e desconhecidas no futuro”. Ou seja, quase tudo funciona com base na imprevisibilidade.

Voltando ao SNS, sabemos de antemão que o mesmo nunca esteve bem. Sempre houve desde a altura em que foi formado, algo a apontar. Ou porque não há profissionais suficientes para assegurar isto ou aquilo; ou porque os tempos de espera para consulta e/ou cirurgias é longo; ou porque os medicamentos são caros; ou porque aqui ou ali os utentes não foram bem atendidos; ou porque os tempos de espera nas urgências também são significativos; ou porque as instalações de Cuidados de Saúde (Hospitais, Centros de Saúde, etc.) não reúnem condições necessárias; ou porque não há camas, ou porque não há médicos; ou porque pagam mal; ou porque as taxas são caras (…) enfim, a lista de queixas repete-se ao longo dos anos na mesma medida que o grau de exigência a acompanha.

Sabemos que ficámos melhor com o SNS se comprado com o que existia antes.

Curiosamente, ou talvez não, Portugal tem sido visto e reconhecido fora de portas como tendo um dos melhores SNS do mundo. Lembramos que há países onde este tipo de organização para prestação de cuidados de saúde não existe e é fechada a porta a quem não tem dinheiro para tal.

Mas então porquê tantas queixas e críticas? Porquê andar sistematicamente a defender esta teoria de que tudo é mau no SNS? Por que razão salientar e relevar apenas o que está mau ou menos bom em detrimento do que está bem? A quem interessará vender esta ideia?

Eventualmente, e obviamente, por um lado pelas razões anteriormente apontadas pois a saúde é um bem essencial e também por isso tem um grau de exigência muito superior. Com a saúde não se brinca! E com a nossa e dos nossos muito menos. Mas parece-nos que existirão outros interesses mais ou menos obscuros, mais ou menos escondidos, por trás de tudo isto.

O SNS nunca será um sistema perfeito face ao contexto em que está inserido por motivos vários, quer ao nível económico, político, ou de outra ordem. Por outro lado, a ciência e a tecnologia em saúde está sempre a evoluir e o que hoje é uma realidade amanhã poderá estar obsoleto; sendo que essas melhorias têm implicações nos níveis anteriormente referidos.

As exigências em saúde serão sempre muitas, o SNS nunca conseguirá agradar a todos na sua plenitude, mas “propagandear” sobre o “caos” é em nosso entender uma falácia cujo principal objectivo não visa a sua melhoria, mas antes sim a sua fragilização.

A grande maioria dos profissionais do sector irá continuar a dar o seu melhor pelo SNS, mesmo que muita vez injustiçados em termos de carreira profissional.

Que a nova Lei de Bases da Saúde traga maior lucidez a todo o processo de prestação de cuidados de saúde para bem dos cidadãos.

Viva o SNS!

 

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