Coimbra  26 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

José Manuel Silva

O caixote das mentiras

31 de Janeiro 2019

Entristece-me ver a comunicação social de Coimbra chamar de ‘Centro Olímpico de Ginástica’ a um acanhado caixote de treinos de ginástica. Mais grave ainda, aquele caixote, segundo o caderno de encargos, não se destinava a duas das três modalidades olímpicas de ginástica, a rítmica e a artística.

Que fique muito bem claro para todos que, se Coimbra continuar sem um condigno pavilhão de ginástica, a culpa é e será exclusivamente do Partido Socialista de Coimbra, como a seguir explicamos.

A Câmara e Coimbra não podem continuar a ser governadas com base em negociatas, lançadas com cadernos de encargos que, deliberadamente, não cumprem os preceitos legais de defesa do interesse público, tornando-se em negócios extraordinariamente lucrativos para os promotores privados.

No caso concreto, sem acautelar devidamente o interesse público, as necessidades dos Bombeiros Sapadores e as ambições da ginástica. Mas alguém acredita que este continuado hipotecar do interesse público acontece por acaso? Já se esqueceram dos ruinosos negócios da banca?

Na verdade, a área de construção prevista para a ginástica era manifestamente insuficiente, sendo uma intolerável e vergonhosa mentira chamar de ‘Centro Olímpico de Ginástica’ a um pequeno caixote de treinos que nem sequer tinha bancadas e não permitia a realização de provas! Vivemos em alguma cidade de um país subdesenvolvido?

Sou pai de uma ex-atleta de ginástica, que chegou a integrar a representação nacional. Conheço, portanto, as limitações e dificuldades da ginástica em Coimbra.

Um dos aspectos mais graves e quase nada divulgados (porque será?) é que a área de abrangência do complexo desportivo privado a concessionar iria eliminar o campo de treino dos Bombeiros Sapadores de Coimbra, assiduamente utilizado por esta corporação nos seus exercícios diários, ao mesmo tempo que inviabilizava qualquer expansão deste complexo infra-estrutural dos Sapadores e da Protecção Civil.

A CMC reservava-se o direito de aceder à piscina gratuitamente durante o período de concessão; contudo, remetia a elaboração do plano de utilização para uma fase posterior à assinatura do contrato, o que representa mais uma chocante cedência aos interesses privados. Tudo o que havia a negociar, obviamente deveria ser negociado antes da assinatura do contrato! Não estava definido em lado nenhum quem pagava as taxas inerentes à construção e utilização do complexo, nomeadamente as taxas de licenciamento.

Não estava sequer definido se os atletas, dirigentes e pais tinham direito a estacionamento, ou não. Como o estacionamento não faz parte das contrapartidas previstas, era apenas mais um negócio privado, presume-se que os atletas teriam de pagar para poderem estacionar e treinar, o que não se compreende.

Curiosamente, nenhum órgão divulgou a proposta formalmente apresentada pelo movimento “Somos Coimbra”. Propusemos que, ouvidos os clubes e a Associação de Ginástica do Centro e definido o modelo de utilização do pavilhão de ginástica, a CMC, que tem meios financeiros para o fazer, assuma a construção de um verdadeiro ‘Centro Olímpico de Ginástica’, com qualidade, dimensão e polivalência para merecer o respectivo nome, incluindo nele as múltiplas modalidades deste desporto que são praticadas no concelho de Coimbra e a imprescindível capacidade para receber provas nacionais e internacionais.

Para construir um Complexo Olímpico de Ginástica, que dignifique a cidade de Coimbra e promova realmente o desenvolvimento da modalidade, a CMC tem o apoio de “Somos Coimbra”, tem o espaço e tem o dinheiro, só lhe faltando a vontade! Não deixaremos morrer este assunto.

(*) Vereador pelo movimento “Somos Coimbra”

 

 

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