Coimbra  13 de Novembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

“Ó Adro de Santa Cruz” – cantiga popular de Coimbra

12 de Julho 2019

17 - João Pinho Adro de Santa Cruz

 

Esta antiga cantiga popular de Coimbra parece remontar a finais de 1143, aquando do casamento entre Baldomero Alvo e a jovem Elisabeth Várzea. Conta-se que nesse dia rebentou grande escândalo na cerimónia nupcial realizada na Igreja de Santa Cruz:

«Quando chegou o momento do sacerdote perguntar se alguém era sabedor de algum impedimento para a realização daquele acto, eis que surge uma rapariga chamada Ofélia, que vinha acompanhada pela mãe, bradou do meio do templo que o casamento não se poderia realizar porque o Baldomero a tinha desonrado e prometido que se casaria com ela».

Gerou-se então grande pandemónio com o povo a protestar contra o casamento.

O prior de Santa Cruz tentou controlar a situação ordenando aos contestatários que abandonassem o templo, sob pena de exclusão de todos os paroquianos das restantes freguesias. Mas, como ninguém acatou a ordem, ficou consumada a excomunhão.

Diz-nos a tradição que por estes motivos e, por outros, como a realização de mercados e folias, e outras obras profanas, o largo em frente a Santa Cruz, outrora designado como Sansão, daria origem à referida cantiga popular, compreendendo quadras de escárnio e mal dizer como a que se segue:

Ó adro, ó adro, ó adro, José

Ó adro de Santa Cruz;

As mulheres são o diabo, José,

Santo nome de Jesus!

(*) Historiador e investigador

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