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Semanário no Papel - Diário Online

 

Carlos Costa Almeida

Notícias da covid-19 ou a cabeça na areia

27 de Outubro 2020

O que se deve perguntar é o que foi feito ao SNS ao longo dos últimos anos… Com serviços e hospitais públicos a serem progressivamente fechados e os doentes a serem postos em listas de espera e mandados para hospitais privados para lá serem estudados e tratados!!! Mas os doentes com covid-19 não podem ir para listas de espera…. e agora???

A solução mágica parece ser a máscara permanente obrigatória!!!! E, claro, o distanciamento. De lavar as mãos já nem se fala. A máscara permanente parece ser a salvação. Com os infectados a aumentar cada dia apesar dela…

E se não resultar? Tendas de campanha à porta dos hospitais? Dos hospitais que viveram sempre próximo da sua capacidade máxima em cuidados intensivos, e para além da sua capacidade clínica de rotina, como demonstrado pelas inúmeras e crescentes listas de espera… de doentes que esperam por ser estudados e tratados… porque não puderam sê-lo no momento em que precisaram… Claro que em momentos de catástrofe, ou de epidemia, sempre previsível que surjam… não há resposta nem lista de espera para ninguém!!!

Mas sempre se podem montar umas tendas para servirem de hospital. Vá que em Coimbra não foram precisas, porque a epidemia chegou umas semanas antes de desmantelarem o Hospital de referência e encerrarem-lhe os cuidados intensivos! Como estava previsto. E, espantem-se, está previsto!! Para depois da epidemia… Na próxima epidemia ou catástrofe lá teremos a tenda!…

E daí não sei: onde se poria a tenda no HUC?! No heliporto? E os doentes depois viriam de helicóptero para o heliporto dos Covões?… Ou num parque de estacionamento… Mas para aí não vão as maternidades?!… Se calhar melhor na Praça da República, sei lá!! Na margem esquerda, e no seu polo de saúde, é que não, evidentemente! É muito longe do centro da cidade… e da torre da Universidade…

Pois o Governo, o Ministério da Saúde, quem foi posto a dirigir a Saúde no nosso País, é altura de reflectirem sobre tudo isto, sobre o que se passou e o que está a ser feito, e o que não está a ser feito, e corrigir a actuação. Para o presente mas sobretudo para o futuro, tendo em conta o passado recente. E não meterem a cabeça na areia. Ou na máscara…

(*) Médico cirurgião e professor universitário