Coimbra  18 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Nos 250 anos do nascimento de António da Visitação (1769-2019)

26 de Julho 2019

18 - António da Visitação Freire de Carvalho

António da Visitação Freire de Carvalho, filho do Dr. Aires António Antunes Freire, mordomo da Universidade e de D. Maria Joaquina de Sequeira, nasceu em Montesão, pequeno lugar da freguesia e paróquia de S. Martinho do Bispo, a 30.07.1769, recebendo o baptismo a 06.08. do mesmo ano.

Com 14 anos já dominava as primeira letras e latinidade, que aprendeu em casa com um mestre particular, tomando também algumas lições de Retórica e Belas-Letras. Por influência de um parente tomou o hábito e professou nos Cónegos Regrantes em Mafra, onde se distinguiu e foi escolhido para defender conclusões públicas de Retórica, Poesia e Belas-Letras.

Para prosseguir os estudos superiores das Ciências Eclesiásticas veio para Coimbra, frequentando o Colégio da Sapiência, onde o seu talento levou a que fosse novamente escolhido para defender conclusões públicas, revelando extensos conhecimentos sobre Literatura, Geografia e História.

Devido a opiniões diversas entre os professores do referido colégio, ao nível da Teologia, designadamente, o Ultramontanismo e a defesa da infalibilidade absoluta dos Papas, resultou a inviabilização da sua nomeação como professor.

Com a saída dos Cónegos Regulares de Mafra para S. Vicente de Fora, encerrou-se o colégio e vieram todos os professores que lá estavam, por ordem de D. Maria I, em 1791. Neste último Convento estabeleceram-se escolas públicas por ordem do Governo e nelas continuaram a exercer o magistério os mesmos professores que o tinham exercido no Colégio de Mafra. António da Visitação veio a leccionar a cadeira de História e Geografia e desempenhou a função de bibliotecário da valiosa livraria.

Faleceu novo

As suas qualidades levaram a que D. João de Bragança (Duque de Lafões), presidente da Academia Real das Ciências o honrasse com a carta de Sócio Correspondente, passada a 31.03.1798. Nesta associação apresentou diversas memórias: a primeira das quais intitulada «Sobre a divindade que os Lusitanos conheceram debaixo da denominação de Endovélico»; e a última a vida de Frei Bernardo de Brito, que a Academia mandou imprimir como prólogo da nova edição da Monarquia Lusitana.

D. Rodrigo de Sousa Coutinho, ministro da Marinha, sensível ao talento de António da Visitação, convidou-o para sócio da Sociedade Real Marítima de Lisboa, onde apresentou um curioso trabalho: «Memória em que se mostram as vantagens do estudo da geografia náutica nas Reais Aulas da Marinha e o plano do seu ensino.

Faleceu novo, com 35 anos, a 04/03/1804, vítima de pneumonia, em Lisboa. Bocage, um dos nossos maiores poetas, chorou a sua morte num soneto:

“As Artes, as Ciências enlutadas,

As delícias d’Ontanio, e seus amores,

Depois que o viram mudo, estão caladas.

Ilustres irmãos

António da Visitação viveu numa família alargada, constituída por quatro irmãos e duas irmãs, que se destacaram pelo brilho do seu intelecto:

– A vida e obra de um de seus irmãos, José Liberato Freire de Carvalho (1772-1855), tem sido amplamente divulgado nas páginas deste jornal: cónego regrante de Santa Cruz, ideólogo do primeiro liberalismo, pioneiro do jornalismo (tendo dirigido com seu irmão o jornal manuscrito As Variedades), maçon, memorialista e tradutor.

– Bento Freire educado em Lisboa para ser dignidade do clero português, veio a dedicar-se à Marinha: em 1800 havia completado o 1.º ano de estudos como aspirante, embarcando para o Pará, para ter o posto de guarda-marinha. Massena nomeou-o capitão de fragata em 1810. Faleceu em 1843 na Ericeira.

– Luís António Freire de Carvalho, frequentou a Faculdade de Direito e viveu na casa de seu pai na Quinta da Tapada. Faleceu a em 1833 na Cadeia de Tomar, onde estava preso por ordem de D. Miguel.

– Francisco Freire de Carvalho, estudou no Seminário de Coimbra, completou estudos no Colégio da Graça de Coimbra, foi mestre da ordem, Professor de Humanidades, e Cónego da Sé Patriarcal de Lisboa. Faleceu em 1852.

(*) Pela Comissão Liberato

 

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