Coimbra  17 de Setembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Mário Carvalho

Nasce pouca gente por Terras de Sicó

27 de Maio 2019

Segundo Bodart, “o conceito sociológico de coesão social (mais comum e utilizado) está relacionado a uma espécie de estado pelo qual os indivíduos mantém-se unidos, integrados em um grupo social, ou, simplesmente, o estado de integração coesa do grupo social”.

Isto a propósito de que ultimamente o termo “coesão social” tem feito parte do argumentário dos diversos actores políticos da Direita à Esquerda. A alusão à “coesão social” tem emergido quase como a solução milagrosa para todos os problemas.

Pois bem, não só o termo tem sido utilizado muitas vezes fora do contexto, ou do conceito, como, aliás, o autor identifica, como também a leveza com que é lançado para o debate público deixa de pé atrás aqueles vão ouvindo e assistindo, mas na prática não vêm resultado nenhum.

A notícia que serve de mote a este artigo prende-se com o facto do Instituto Nacional de Estatística ter divulgado um estudo no qual identifica um problema que, não sendo de agora, continua a preocupar a sociedade portuguesa.

À semelhança do que foi divulgado sobre os seis concelhos que dão corpo à designação Terras de Sicó (Alvaiázere, Ansião, Condeixa, Penela, Pombal e Soure), onde os números vincam bem a diferença entre quem nasce e quem morre, Portugal padece de um problema que terá repercussões no curto/médio-prazo.

Para o caso, e citando o Jornal Terras de Sicó, “entre 2013 e 2018, o número de óbitos no total deste território foi de 9 353 para apenas 4 309 nascimentos. Menos de metade”. A questão há muito que se instalou fora dos grandes centros urbanos

Portanto, podemos retirar daqui que não só o Estado não tem sido consequente no que toca às suas políticas de equidade entre as diferentes zonas do país, como também os próprios municípios, supostamente, mas não só, por arrastamento da situação anterior ou pela fraca aposta na adopção de políticas mais agressivas para fixar população que vê o litoral, não têm alcançado os objectivos a que muitas vezes se propõem nos seus programas eleitorais.

Ou seja, a realidade pura e dura é que são raros os municípios que conseguem promover verdadeiras e consequentes políticas de promoção e crescimento das suas populações.

Assim sendo, se a sociedade não for suficientemente equitativa em termos territoriais, esbatendo as acentuadas assimetrias entre o Interior e o Litoral e entre os territórios de maior densidade populacional e os de baixa densidade populacional, então a “coesão social que todos agora apregoam será muito mais difícil de alcançar, onde obviamente todos perdem.

Para terminar, pese embora os números agora divulgados denotem preocupação, não podemos deixar de apontar os bons exemplos que vão no sentido do incremento da “coesão social” como potenciador da fixação e atracção de residentes. E precisamente, a “marca” “Terras de Sicó”, que ao criar pontos de ligação e convergência entre os seus pares potencia também por si o desenvolvimento não só dos concelhos que fazem parte como também da região onde estão inseridos.

Seguindo este exemplo, quer estejamos a discutir aeroportos quer qualquer outra questão de vária ordem no que toca ao desenvolvimento local e/ou regional, o caminho será sempre mais fácil partindo da identificação e desenvolvimento dos pontos de convergência para potenciar um resultado final satisfatório.

Isso só acontecerá indo de encontro às reais necessidades dos cidadãos através do incremento da democracia participativa.

 

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