Coimbra  22 de Maio de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

Moçambique: Pensar numa nova Beira, cidade

29 de Março 2019

Moçambique_Sofala

 

O Idai desmontou e sacrificou a Beira, em Moçambique.

A cidade, é bom que se diga e sem rodeios, passados uns 10 anos sobre a independência, começou a apresentar sinais de desleixo e de abandono urbano. Os prédios, as casas, os edifícios mais nobres, com raras excepções – estive na Beira em 1968, 69, 70 e 71 e, depois, em 2012 e 13, podendo fazer comparações – degradaram-se, até hoje, de uma forma imperdoável.

A falta de manutenção e de reparação espatifaram a grande maioria das estruturas citadinas, desde casas, passando por ruas e avenidas, até ao sistema de redes de água e de esgotos.

A Beira tem uma altitude média de 14 metros acima do nível do mar. Ergue-se numa área pantanosa, junto do rio Púngué e está sobre zonas de dunas ao longo da costa do Índico. Tinha tipo diques e muros para a protegerem. Também esses se foram perdendo…

O porto foi outro ponto que se deixou desmoronar. Estava assente em estacaria de ferro, sendo que os portugueses, e por causa da salinidade das águas (salobras) que invadiam a foz do Púngué, espetaram-lhe e bem, um sistema eléctrico para, nas vigas de ferro referidas, se fazer a electrólise e se precaver a ferrugem…

A Vale foi vítima da podridão do porto da Beira. Agora, com esta tempestade, que tudo quase levou e atirou a cidade para o descalabro, talvez não seja má ideia pensar-se numa nova, deslocalizando-a.

Dondo, ali a 34 quilómetros, poderia ser uma excelente hipótese. Até porque o aumento do nível do mar, face aos problemas do clima, aconselham a que se possa e deva encarar essa ideia. E o Dondo está perto do Púngué pelo que seria mais fácil, apesar de serem necessárias obras no canal desse Rio, acoplar-lhe um porto, mais moderno e dotado de infraestruturas ferro-rodoviárias que o servissem… E aproveitar-se-ia a linha de caminho-de-ferro Beira/Manica/Umtali.

O desafio está lançado. Pode parecer uma visão-sonho, mas poderá ser uma realidade e um desígnio futuro.

Acreditar não custa, assim como provocar um projecto e começar a falar-se. Os poderes políticos poderiam ser determinantes e ficariam para a história do País. Não quero ser “pai” da criança, mas gostava de apadrinhar…