Coimbra  22 de Maio de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

Moçambique: a tragédia de Manica e Sofala

22 de Março 2019

Moçambique

 

Arrepiante é saber que a tempestade matou, destruiu, feriu, inundou, levou haveres e bens, reduziu a escombros e arrasou lugares.

Arrepiante é não entender como é que os poderes públicos, políticos e governativos, em Moçambique, não conseguiram, até hoje, implantar, no terreno, normativos que aprovaram na Assembleia, a precaver este estado de catástrofe.

Arrepiante é perceber que, e apesar dos alertas de mau tempo, as competentes Entidades não se tomaram de aviso para resguardar, e pelo menos, as pessoas.

Arrepiante é que ninguém, até hoje, depois da independência, tenha tido a sensatez de fazer a manutenção a diques e a muros de protecção da Cidade da Beira que está assente em pântanos e abaixo do nível das águas do mar. Como se desmoronou o porto da cidade?

Arrepiante é que Moçambique, e até esta data, não tenha capacidades, serviços de protecção civil e outros meios, principalmente militares, para acudir, em prontidão, a situações deste tipo.

Arrepiante é ter a ideia que biliões de dólares se sumiram, na corrupção e nos interesses do partido do poder e de alguns dos seus membros, de que a Frelimo é o expoente máximo…

Arrepiante é o povo de Moçambique ser marioneta das mãos desses serviçais dos poderes do partido que comanda, mas não tem sabido governar.

Arrepiante é deixar-se um povo à sua sorte, ao desvario das águas, à penúria, ao desleixo e à sua fé humana, pelo menos.

Arrepiante é sabermos que Moçambique é pobre… mas que não consegue, por manhas dos seus maiores, caminhar para um futuro sóbrio e seguro.

Arrepiante, agora, é o próprio país, as suas instâncias superiores, não conseguirem salvar, acudir e prover às suas gentes.

Arrepiante é todo o tempo que se perdeu, já vai fazer 40 anos.

Arrepiante é continuarem – alguns – a culpar o colonialismo.

Arrepiante é o estado de coisas de um Estado desgovernado.

Arrepiante é esta calamidade que foi calamitosa pelo estado aberrante a que Moçambique chegou…

Haja a graça do Alto para, e como ao menino, pôr a mão por baixo aos moçambicanos e os ajudar a ultrapassar esta difícil fase.