Coimbra  3 de Dezembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Carlos Freire de Oliveira

Localização da nova Maternidade do CHUC

22 de Novembro 2020

*Professor Catedrático aposentado da FMUC e ex-director do Serviço de Ginecologia dos HUC

 

Desde há alguns meses têm sido divulgadas pela comunicação social, nomeadamente pelo “Diário de Coimbra”, criticas à localização do novo edifício da Maternidade do CHUC, feitas por políticos e por cidadãos, no sentido da Maternidade não ficar junto dos HUC e do Hospital Pediátrico, mas na área do Hospital dos Covões. A meu ver essas críticas são injustificadas porque não têm qualquer suporte técnico-científico.

Recentemente a Professora Doutora Teresa Almeida Santos, directora do Departamento de Ginecologia, Obstetrícia, Reprodução e Neonatalogia veio clarificar, espero que definitivamente, que a decisão da localização decidida pelo Conselho de Administração do CHUC e aprovada pela Senhora Ministra da Saúde têm um suporte técnico-científico, sendo necessário e urgente dar-se início à adjudicação do projecto e construção, face à precaridade das actuais instalações das duas maternidades de Coimbra.

Quanto ao Hospital dos Covões, enquanto estiver inserido no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, a decisão da sua utilização e das obras necessárias compete ao Conselho de Administração do CHUC.

Tendo exercido funções como professor da Faculdade de Medicina e médico dos Serviços de Ginecologia dos HUC (1969 a 2010), tendo sido director do serviço de 2000 a 2010, tive também a oportunidade de participar mais de 12 anos no Colégio de Obstetrícia e Ginecologia da Ordem dos Médicos, a que presidi durante seis anos, no Conselho Médico Legal, durante mais de 12 anos, e ainda como vogal do Gabinete do Novo Hospital Central de Coimbra (1979 -1987). No âmbito da Ordem dos Médicos durante o meu mandato como presidente e nos mandatos seguintes, com outros

colegas nessas funções, foi defendido sempre que as maternidades devem estar fisicamente integradas em hospitais gerais (exemplos: hospitais de S. João e Sta. Maria). Nas maternidades fora dos hospitais gerais (exemplos: maternidades Alfredo da Costa, Daniel de Matos, Bissaya Barreto) tive conhecimento, tal como muitos outros colegas, de grávidas e de mulheres submetidas a cirurgia ginecológica que faleceram por falta de assistência médica especializada em determinadas áreas diferenciadas, só existentes nos hospitais gerais. O público desconhece estes casos, em que alguns

acabam nos tribunais. Já durante o início da construção do Novo Hospital Central de Coimbra (1978 – 1979) este assunto da integração da Maternidade Daniel de Matos e, eventualmente, da Maternidade Bissaya Barreto no novo edifício foi discutido e não foi concretizado por falta de orçamento disponível e para não atrasar o início do Novo Hospital previsto há mais de 20 anos!

Para terminar acrescento que a nova maternidade deverá incluir além da Obstetrícia a Ginecologia e a Reprodução. No que diz respeito à Ginecologia o diagnóstico e tratamento do cancro ginecológico e da mama têm sido uma área de referência do Serviço de Ginecologia mas, em algumas situações, exige-se a participação de cirurgiões gerais altamente diferenciados, cirurgiões plásticos e outros que só existem num hospital geral.

Finalmente a discussão política e de alguns cidadãos que preferem a Maternidade no “campus” do Hospital dos Covões é porque querem que a situação volte ao que existia anteriormente – dois hospitais gerais independentes. Então que pugnem pela extinção do CHUC e o renascer dos HUC e do Hospital dos Covões. Isto não é impeditivo da construção urgente da nova maternidade no local determinado pelo Conselho de Administração e aprovado pela Ministra da Saúde.