Coimbra  25 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Alírio

Inteligência Artificial – disrupção ou oportunidade?

15 de Março 2019

A Inteligência Artificial (IA) entrou definitivamente nas nossas vidas.

As “Bigtechs” como a Amazon, a Google, o Facebook e a Apple, com as suas extensas bases de dados e capacidade analítica são exemplos acabados de como observar os futuros desenvolvimentos, as incríveis oportunidades e os problemas previsíveis que a IA pode revelar…

Observe-se o supercomputador Watson – Uma plataforma de serviços cognitivos da IBM para negócios. A cognição consiste no processo que a mente humana utiliza para obter conhecimento a partir de informações recebidas. Com o avanço da tecnologia, essa capacidade passa a ser integrada a sistemas que podem aprender em larga escala e ajudar a sociedade em várias áreas com diversas finalidades. Pode ir do atendimento a clientes ao combate a doenças graves.

Por exemplo, o clima é o responsável por muitos prejuízos nos negócios. As empresas farmacêuticas conseguem obter previsões precisas para prever um aumento na necessidade de medicamentos para as alergias. Também os agricultores dependem muito do clima, o que afecta o local onde cultivar mas também onde a colheita pode ser vendida. A IBM recentemente integrou numa plataforma todas estas acções, possibilitando que o Watson operasse todos estes processos, criando dessa forma uma dinâmica de futuro, onde a IA se destaca.

Hoje, por via da “cloud” – nuvem e dos serviços virtuais, não é necessário ter ferramentas muito elaboradas, o que permite mesmo às empresas de menor dimensão, terem efectivo sucesso. Somos nós, seres humanos que vamos usufruir destas novas ferramentas criativas.

O Watson da IBM, em conjunto com a IA avançada e com a fortíssima capacidade de análise da Amazon, da Google, do Facebook, permitirá obter um “output” de percepções cognitivas com uma grande extensão de dados gerados pela Internet das Coisas – falo da interconexão digital de objectos quotidianos com a Internet, ou seja, é a conexão dos objectos, mais do que das pessoas, à Internet. Trata-se de uma revolução em toda a nossa sociedade e em todas as áreas.

A IA avançada promete possibilidades quase ilimitadas às empresas para em todas as áreas tomarem as melhores decisões em muito menos tempo. Mas a que preço?

Muitos acreditam que a tecnologia provocará um aumento brutal do desemprego em vários sectores e sugerem até que esta tendência tornará a maior parte dos seres humanos “redundantes”.

É verdade que há muitos empregos tradicionais que estão num processo de finitude, mas também é importante perceber a extraordinária oportunidade de empregos que são necessários para nos ajudar a continuar a progredir.

A ascensão das máquinas começou com a eliminação das tarefas repetitivas em ambiente de produção. Hoje essa tendência dirige-se para os empregos de colarinho branco.

Diria que a solução que temos não é reagir à mudança, mas antes “jogarmos” na antecipação! No fundo colocarmos o foco no inevitável, isto é, o que possa mudar o nosso futuro colectivo, ser antecipado, quer sejam problemas, quer sejam oportunidades.

Talvez seja possível aproveitar as áreas em que os computadores têm dificuldade de entendimento – colaboração, comunicação, solução de problemas e muito mais e dessa forma termos a possibilidade de aprender coisas novas em contínuo e quem sabe, “desaprender” velhas formas que agora nos limitam.

Vivemos num mundo em que os relacionamentos são cruciais! Temos de tomar consciência do que é novo e aplicarmos a criatividade na resolução de problemas interpessoais, sociais e de comunicação. O futuro afinal pode ser auspicioso!

(*) Gestor e investigador

 

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