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Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

Impunidade e desrespeito pelo adro da Rainha Santa

25 de Junho 2018

Não me sinto nem defensor da Confraria da Rainha Santa Isabel nem lhe visto o paramento que me possa conferir o cognome de “irmão” na escala de tão veneranda instituição. Sou um cidadão de Coimbra e de Portugal.

Vem a Confraria, agora, a terreiro depois de, afirma em comunicado, terem sido suscitadas dúvidas quanto à posse desse espaço, frente ao Convento de Santa Clara-a-Nova.

Li com o maior respeito e atenção, linha a linha, esse esclarecimento, ora divulgado.

Fiquei elucidado quanto à propriedade do adro, reparando nos fundamentos “histórico”, “judicial” e nos “factuais”.

Nada, face ao que se manifesta legal e oficialmente, poderei opor.

Fiquei foi abismado no que concerne a dois aspectos, o que não me deixa descansado e me oferece dúvidas da mais variada ordem.

Diz o comunicado que a Confraria contactou a PSP para travar desmandos de divertimentos de jovens que, e naquele adro, durante a noite, o convertiam em pista de acrobacias automobilísticas.

Adianta o mesmo texto que a PSP informou que não dispõe de efectivos para vigiar essas peripécias que ocorriam naquele recinto.

Quero lamentar esta resposta de uma das nossas polícias que tem por missão zelar pela segurança de pessoas e bens. E mais: exercer vigilância objectiva sobre os haveres patrimoniais do país.

Esta resposta é elucidativa de como certos responsáveis olham para a “coisa pública”. É um lavar de mãos, o que é grave num Estado que se pretende de Direito e que deve exigir às suas autoridades policiais, as quais vivem dos impostos dos cidadãos, o maior zelo a respeito da sua missão. Ou será que só existem forças de segurança para os futebóis, mais propriamente para as chamadas “caixas de segurança”? E quem as paga?

Esta resposta, além de insensata do ponto de vista da segurança, espelha a qualidade de alguns dos homens que temos frente a departamentos de visibilidade do nosso país.

Registo também, e com alguma dificuldade, porque de um bem patrimonial citadino se trata, devendo haver colaboração e entendimento, que o Município se tenha entrincheirado no facto dos pinos elevatórios, a colocar no portão da entrada principal do adro, têm registado problemas noutros locais onde foram apostos.

Se têm já se procurou alternativa? E o problema será de hoje?

Esta facilidade de, em razão de assuntos de interesse da comunidade de Coimbra ou de outra, se atirarem as situações para os outros, deixando-os com o ónus da culpa, não se mostra nada ético nem merecedor do nosso silêncio.

O que nos tem prejudicado – sempre – é esta forma de as entidades e serviços municipais, estatais, policiais e outros falarem de costas viradas.

O resultado está à vista. O portão principal do adro do Convento de Santa Clara-a-Nova, com um vista soberba sobre Coimbra – margens esquerda e direita – está encerrado durante as horas nocturnas.

Quem sai prejudicado: o turismo e a cidade.

Porque os que deviam assumir, se demitem…

Quanto ao mais, pode ler-se o que o comunicado trás a público e bem. Quem procura a nossa Santa Rainha é gente humilde que dá o que pode. Gerir património valioso desta envergadura e beleza não pode competir só a uma parte. O Estado tem por obrigação ajudar e não venham com os “mexericos” da separação dos poderes, porque os nossos monumentos devem e têm de estar imunes a esses preconceitos e devaneios humanos…

 

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