Coimbra  20 de Novembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Sousa Jordão

Hospital dos Covões / Maternidade … O meu silêncio

9 de Setembro 2019

Hospital dos Covões

É verdade, a partir de hoje decidi não voltar a falar sobre este assunto, embora isso me provoque grande constrangimento. Calar a verdade é me doloroso…

O fim do Hospital dos Covões (como Hospital Geral) é uma triste realidade. Assim, Coimbra perdeu irremediavelmente uma Unidade de Saúde de referencia, com único prejuízo dos doentes e da cidade. O SNS da Região Centro está mais pobre. A Tutela assim o quis, o Centro Hospitalar de Coimbra assim o consentiu e pela sua afasia, até colaborou.

Não podemos somente incriminar a Tutela da Saúde mas, com verdade e também, quase todo o staff de trabalhadores que integravam o Centro Hospitalar de Coimbra (Médicos, Enfermeiros, Técnicos de Diagnóstico, Auxiliares de Acção Médica e todos os outros). Por isso merecem uma referência, que não devo ocultar.

Há os que, no activo ou já aposentados, embora em escasso número, sempre vestiram a camisola do Centro Hospitalar de Coimbra. Lutaram, deram a cara na comunicação social, nas redes sociais, junto da Edilidade local, em mesas de debate, lutando e chamando a atenção para a política errada de encerramento desta Unidade. Merecem o nosso apreço.

Os que não querendo «perder o comboio» e por interesses pessoais, em troca de «pseudo lugares de chefias» habilmente postos à sua disposição pelos HUC, se venderam a este projecto de destruição… lastimáveis – Alguns tinha-os em consideração.

Ainda a grande massa amorfa, instalada, muda e queda, que cobardemente optou pelo silêncio, pelo cruzar dos braços pelo «laiser faire laiser passer» que manifesta o seu desanimo e os seus sentimentos, em conversas informais de corredor, de rua, nos convívios sociais, mas que mais não fez do que isto.

Por último, os grandes responsáveis da Gestão Hospitalar ao tempo da «fusão» (Conselho de Administração do CHC, Conselhos Directivos dos três Hospitais Integrados e Directores dos Serviços) foram os grandes Coveiros do CENTRO HOSPITALAR DE COIMBRA, pelo seu silêncio, pela sua cobardia, pela sua subserviência, pelos seus interesses pessoais, esquecendo a defesa daqueles para os quais exercemos a nossa profissão.

Ao optar pelo meu futuro silêncio, mais uma vez há que não escamotear a verdade e lastimar o desenrolar de todo o processo de destruição em que participaram os Órgão de Gestão das duas Unidades Hospitalares HUC e CHC com o beneplácito da ARS Centro. A estes o nosso repúdio, o nosso sentimento do mais profundo desprezo, pelo que nunca construíram, mas pelo que irremediavelmente souberam destruir.

(*) Médico, Chefe de Serviço de Anestesiologia do CHC aposentado, ex-Director Clínico do CHC e ex-Presidente do Conselho Directivo do Hospital dos Covões

 

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