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Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Honremos o Natal

22 de Dezembro 2017
13 - Opinião João Pinho Honrar o Natal

Mensagens de Natal pelas crianças da EB1 da Solum

 

O Natal é a principal celebração religiosa da Igreja Católica, centrado no nascimento de Jesus de Nazaré a 25 de Dezembro. Uma época particular do calendário religioso e social, que inclui tradições e costumes antigos tais como: a missa do galo, a ceia de Natal, as músicas natalinas, os cartões e mensagens votivas, a troca de presentes, o pinheiro de natal, o presépio, as festas de igreja, entre outros.

O momento aproxima as pessoas que se reunem em família, anima os sectores económicos das cidades, vilas e aldeias, fomenta a imaginação das crianças, renova esperanças num mundo melhor, mais justo e equilibrado.

No entanto, o Natal está pejado de hipocrisias que importa desmontar: famílias desestruturadas ou “a fazer de conta”, consumismo exagerado centrado nas grandes superfícies – guarda avançada das grandes multinacionais – utilização dos mais desfavorecidos tendo em vista a perpetuação de formas de poder, compensação do défice emocional de jovens e menos jovens através de bens materiais supérfluos.

Encaremos a realidade sem subterfúgios. O espírito de Natal, que a uns se impõe e a outros anima, traduzido na aproximação ao outro, que sofre e necessita de ajuda, não pode constituir um episódico momento na ordem mundial.

Que Natal esperam as crianças que em vários pontos do continente africano continuam a morrer à fome? Que Natal aguarda as comunidades devastadas por sucessivas guerras económicas, religiosas e ambientais, num Médio-Oriente cada vez mais explosivo? Que Natal esperam os povos oprimidos e silenciados por regimes ditatoriais? Que Natal para os trabalhadores explorados por patrões cada vez mais rendidos ao ultracapitalismo selvagem?

Perguntas com respostas faceis de adivinhar, num mundo cada vez mais desequilibrado e incerto em que vivemos, que necessita de se refundar, na acção e pensamento, a partir do espírito natalício: amor, caridade, tranquilidade, bondade, amizade, tolerância e perdão.

No nosso Portugal a época natalícia vai ser especialmente dura para aqueles que sobreviveram aos terríveis incêndios florestais e que ficaram com duas mãos cheias de nada. Sim, precisam de um Natal condigno, solidário, com esperança. Mas não só. Precisam que o Natal seja uma realidade diária e não episódica, que a utopia do «é sempre que um homem quiser» se torne verdadeira.

Façamos individualmente o nosso trabalho a partir do pensamento do romancista inglês Charles Dickens: «Honrarei o Natal em meu coração e tentarei conservá-lo durante todo o ano». Parece simples mas não é, porque todo o homem tem mil faces e nem sempre vencem as do bem.

Bom Natal.

(*) Historiador e investigador

 

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