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Semanário no Papel - Diário Online

 

Ernesto Nunes

História de Natal

23 de Dezembro 2016
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– Ó burrinho, meu amigo, eu sei que os humanos te consideram um estúpido, um burro, pronto, mas tu pensas, não é? E assististe ao nascimento, não foi?… Que te pareceu, pois, aquela luz tão forte e brilhante que, de repente, iluminou por completo a noite escura?

– Olha, vaquinha, essa luz espantosa era mesmo de uma estrela e surgiu exactamente quando o Menino nasceu. Eu penso – dizes bem – que, embora os homens digam que a minha voz nem sequer chega ao céu, conforme a estrela está lá, também o Menino veio do céu e ao céu pertence. Só pode ser isso!… Tanta gente O tem visitado, adorado e, de joelhos, feito as suas sentidas orações! Até três reis vieram do oriente, de muito lonfe apenas guiados por essa luz deslumbrante que a todos atraiu! Não foi?…

– É verdade, burrinho, o Menino deve ter vindo do céu…

Eu sinto-me cada vez mais feliz, vaquinha, (quase diria vaidoso, mas isso não é bonito) por ter transportado, sobre as minhas costas, a Mãe e o Menino e assistido ao seu Natal! Não foi nenhum ser humano, não – fui eu, um simples burro… E quanta alegria me deu, igualmente, aquecê-Lo, com bafo e todo o calor de meu corpo. Tu também ajudaste e de que maneira, mas disso os homens pouco falarão, vais ver!…

– E qual será o futuro do Menino?

– Minha amiguinha, o futuro a Deus pertence!…

…………

Passaram dois mil e dezasseis anos. Parte do mundo tem seguido e respeitado as leis e ensinamentos que o Menino, feito Homem, lhes ensinou e deixou. Todavia, a ambição e o egoísmo não cessaram e, como consequência, as lutas e guerras jamais terminaram de vez, com a sua corte de mortos e estropiados, de órfãos e viúvas.

Ele representa a Paz e a Concórdia, o Amor e a Bondade que a todos devia Unir; porém, muitos não O respeitam e, se o “burrinho” do presépio ainda fosse vivo, diria hoje e com razão:

E o burro sou eu, é?!…