Coimbra  10 de Julho de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Mário Nicolau

GNR sem alternativa, em Taveiro

23 de Janeiro 2017

A inépcia do actual executivo da União de Freguesias de Taveiro, Ameal e Arzila e a degradação das instalações est-ao na base do início do fim da presença da GNR na vila de Taveiro, com os prejuízos inerentes para a segurança de pessoas e bens.

O alerta foi dado pela Coimbra2Margens, em 2014, mas ficou em pousio como tantas outras questões – entre elas a limpeza – do dia-a-dia da população.

A responsabilidade do anunciado adeus da GNR, alega o executivo da União de Freguesias em comunicado, é da própria Guarda. Pasme-se!

A Câmara Municipal de Coimbra entra, também, no rol para desviar as atenções. Mas será que foi efectivamente convidada a contribuir para a solução? Ou será que salta para a ribalta das desculpas porque dá jeito?

Aliás, questiona-se, se foi percebida a vontade da GNR de encerrar o Posto em Taveiro porque motivo não se atacou a degradação em tempo útil, de modo a contrariar esta intenção?

Por estes dias, o CDS e o PCP acordaram para o problema. Sublinhe-se: acordaram… finalmente!

O encerramento do Posto da GNR na vila de Taveiro, após as 17H00, é o primeiro passo para o adeus definitivo desta força militarizada e prova que uma situação verdadeiramente importante (mais uma…) passou ao lado do executivo da União de Freguesias de Taveiro, Ameal e Arzila (UFTAA).

Faltou estímulo à participação dos cidadãos para o encontrar da solução (a melhoria das instalações), nomeadamente os empresários, destacando-se, ao mesmo tempo, a ausência dos bons ofícios de um relacionamento institucional construído de forma sadia com outras entidades.

A tentativa de “lavar a face” regista um episódio caricato: a apresentação de um abaixo-assinado que responde à iniciativa lançada – dois dias antes – pela Associação Coimbra2Margens, na web, e que, além de reclamar a intervenção do Governo e da Câmara Municipal de Coimbra, critica a actuação do executivo da UFTAA.

Este episódio é elucidativo e não deixa dúvidas: não há, nunca houve, uma estratégia clara num tempo em que o paradigma da gestão política mudou radicalmente. Temas como a inclusão social, literacia digital, modernização administrativa ou envelhecimento activo não constam do caderno de encargos de quem gere a União de Freguesias.

O encerramento do Posto da GNR tem um lado positivo: se ajudar ao despertar das centenas de consciências, que ficaram indiferentes ao encerramento da delegação da Cruz Vermelha, com o consequente adeus da ambulância em serviço permanente , e da loja social, que “voou” para Vila Pouca do Campo, sem deixar rasto.

A União de Freguesias de Taveiro, Ameal e Arzila precisa de uma dinâmica adaptada aos desafios do novo século, o que implica criatividade, serviço social, inovação, eficácia institucional, modernidade. Na prática, um novo tempo, um tempo novo! E, acima de tudo, olhar atento às pessoas!

O “tour” febril a que agora se obrigam os titulares do poder, por via das próximas eleições autárquicas, não apaga o confrangedor passado recente.

Taveiro, Ameal e Arzila espreitam a Primavera… de Praga!

 

Mário Miguel Ferreira Nicolau

Residente em Taveiro

Coimbra