Coimbra  17 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

Gerir talentos nas organizações

15 de Junho 2018

A gestão de talentos nas organizações foi, a grosso modo, o tema central de um seminário, para o qual fui convidado por um dos alunos dos cursos de Gestão de Recursos Humanos e de Gestão do Instituto Superior Miguel Torga, de Coimbra.

O assunto trouxe, ao Hotel Tryp Coimbra, alguns conceituados entendidos na matéria: dr. J. Bancaleiro e João P. Sanches, e as dr.ªs. Rita Pelica e Paloma Cabanas, com o apoio dos laboratórios Basi.

Um auditório recheado que, na sua maioria com alunos de mestrado ou de frequência dos cursos em referência, escutou ideias, opiniões e experiências dos palestrantes.

O primeiro orador pela sua experiência de vida, multifacetada, situou os talentos num patamar de valor acrescentado para uma mais eficaz liderança, organização do trabalho e capacidade de se enfrentarem os desafios. Além de que posicionou essa acção como de competência, de criatividade, de ambição e de motivação.

Mas não se esqueceu de referir o aspecto cultural e educacional que condiciona a função. Para J. Bancaleiro os recursos humanos são o êxito para um projecto empresarial ou de uma organização pública ou privada.

Já Rita Pelica ancorou-se no que designou pelo mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA) do tempo em que vivemos. O mundo da 4.ª Revolução, o da Informação e das Ciberestradas, às catadupas. Depois centrou-se nas formas de comunicação. Situando-se na que – disse – é a mais expressiva, ou seja, a corporal, manifestou que a da voz só representa 38 por cento dessa nossa capacidade de nos expressarmos.

O lego foi a forma como, ao convidar alunos da assistência, tentou indiciar como nos apercebemos das situações que nos rodeiam e, como cada um, vê símbolos, momentos, objectos ou os sentidos práticos da vida. Os convidados manipularam as peças do lego, conforme os apelos/ideias que a Rita deixava, construindo-os na base da sua visão, do seu meio físico, do seu imaginário e da sua vivência/experiência. No fundo, o lego serviu e serve para, manualmente – diria eu, em simplismo – conseguirmos verter, em cada pequena peça desse jogo, a maneira como, e cada um, percepcionamos as coisas do dia-a-dia e do nosso mundo. Melhor, explicitaria: este nosso pequeno mundo, o nosso, o de cada um, às peças…

João Sanches centralizou a sua palestra na empresa que gere e de que é administrador, a de batatas fritas e aperitivos, situada em Tentúgal, relevando que a massa trabalhadora de que dispõe sabe interagir com a dinâmica que foi implantada na SIA, a qual monitoriza, avalia e analisa o desempenho de todos os colaboradores sem prejuízo da correcção da postura profissional. Porque – disse “nunca se fará bem se não gostarmos da nossa prestação laboral”.

Defendeu uma cultura empresarial que seja criativa, tome nota de carências de toda a ordem e possa saber acudir a situações episódicas graves que determinem “manipulações” que interfiram com a prestação da empresa.

Epicentro do êxito

É preciso, no seu conceito, saber dinamizar uma empresa em função dos mercados e saber incorporar gente que se identifique com o “rosto” da firma e dos seus objectivos. Não comungando com a expressão “Recursos Humanos”, J. Sanches é apologista de um quadro de pessoas, porque não são recursos mas valiosos contributos para os desempenhos.

Não tive oportunidade de escutar a última intervenção e concluo, aliás, como ficou presente, que o quadro de colaboradores é o epicentro do êxito de uma empresa, logo a tarefa que incumbe a quem faz a procura do mais capacitado para qualquer desempenho tem de ser minuciosa e consciente. Mas os tempos, os de hoje, são exigentes, face à transformação industrial, às normas, ao ciberespaço, aos desafios dos mercados, ao mundo globalizado, às mudanças da visão no tocante à formação, às expectativas da procura, à economia, aos ímpetos desenfreados de gigantes, como o asiático, sobre as organizações ocidentais e a outras nuances que, hoje, manipulam e subvertem o mundo laboral.

Gerir talentos nas organizações vai, e cada vez mais, necessitar de quem os selecciona ter a noção de estar atento à respectiva atracção e à retenção.

Mas, e neste particular, não podemos continuar a oferecer ao labor de cada um, uma ou outra côdea, a modos que uma escravatura moderna que não premeia e não valoriza a mão-de-obra que é a força magnética das empresas e dos empresários.

Que se mude a cultura empresarial, mas que se procure incutir no espírito dos novos gestores dos recursos humanos, os que saem das nossas escolas superiores, a necessidade de perceberem que o homem não é uma máquina geradora de riqueza. É um ser humano capacitado com conhecimentos e instrução mas, e acima de tudo, tem sentimentos, emoções e um domínio espiritual que merece valorização para que, e no seu todo, contribua para, por um lado, se sentir feliz e tenha bem estar pessoal e social e, por outro, possa ser uma mais valia no meio onde presta competências profissionais.

As nossas escolas precisam de transpirar-se para o exterior e levar a sua mensagem, como aconteceu com este seminário. Parabéns a quem realizou e produziu, bem como aos conferencistas.

 

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