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Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Alírio

Futuro da economia global – Forças a considerar

15 de Fevereiro 2019

O mundo está a mudar, os mercados estão a mudar, a economia está também ela a mudar. Por isso mesmo, hoje pensar o mundo já não é um clichê.

Recuando ao anos noventa, com a chegada da Internet, o paradigma mudou efectivamente e transformou-se em definitivo a economia e a vida das pessoas.

Esta alteração foi tal, que há quem a compare à teoria heliocêntrica de Nicolau Copérnico, ou mesmo à teoria da relatividade de Albert Einstein.

É certo que hoje, os modelos inovadores têm protagonistas diferentes, justamente impulsionados na área tecnológica e de negócios, como Steve Jobs (Apple), Bill Gates (Microsoft), Mark Zuckerberg (Facebook) ou Elon Musk (SpaceX e Tesla Motors), o que se traduz numa mudança de mentalidade dos consumidores, seja por via das energias renováveis ou mesmo nas alterações do equilíbrio de influência económica no mundo.

Isso simplesmente significa que as grandes oportunidades podem vir de qualquer lugar e que a economia do futuro poderá contemplar certas forças:

– A rapidez na mudança tecnológica: Depois das grandes criações da história moderna, como o telefone, a electricidade, o carro ou o avião e cujo período para massificar a sua utilização chegou a demorar décadas, desde o protótipo até à utilização em massa dos consumidores, hoje, em poucos meses uma nova tecnologia pode chegar facilmente ao mercado;

– Escalada das megacidades: O aumento da população nas cidades modificará a economia do planeta nas próximas décadas. Há estimativas que indicam que as taxas de natalidade nos países ocidentais e na China poderão estabilizar mas que haverá um boom demográfico e urbanístico na Ásia e em África. Imagine-se até 2022 existirem em África uma dezena ou mais de megacidades maiores do que São Paulo (Brasil) ou Nova Iorque (Estados Unidos da América-EUA);

– Aceleração do crescimento chinês: O fenómeno da velocidade de crescimento da economia e do desenvolvimento tecnológico da China já não é novidade, mas o facto de a produtividade de algumas cidades chinesas ser superior à de países desenvolvidos é um facto assinalável. Ainda que se trate de um país com mais de 100 cidades com populações superiores a um milhão de habitantes e que cresceram com a criação de fábricas ligadas à extracção de recursos naturais por um lado e de gestão de dados por outro, é exemplificativo da sua dimensão.

A título de exemplo, a cidade de Changzhou, com um Produto Interno Bruto superior ao da Itália em mais de 2,5 bilhões de dólares. Estima-se que em 2019 a economia chinesa terá uma taxa de crescimento de 35,2 por cento e que até 2030 ultrapassará a economia dos EUA, passando a ser a economia número um do mundo;

– Aumento da dívida: Actualmente, a estimativa de dívida no mundo é cerca de 247 trilhões de dólares, com 63 trilhões respeitantes a empréstimos de governos. Os EUA são quem tem a maior dívida face a outros países, seguindo-se o Japão e a China;

– A pressão verde: A utilização crescente de energias renováveis aumentou nos últimos anos, à medida que os custos de produção diminuíram e as tecnologias se desenvolveram. Há estimativas que indicam que em 20 anos, a energia solar e eólica vão alcançar quase metade da capacidade eléctrica instalada no mundo e que até 2047 poderá haver um bilhão de carros eléctricos em circulação no mundo.

Como se percebe, as referidas oportunidades podem acontecer em simultâneo com a universalidade da inteligência artificial, com a pressão verde ou mesmo com o crescimento no continente africano.

Não há dúvidas, o futuro da economia global começa já hoje! Necessitamos por isso de “mundivisão”, ou seja é preciso pensar mundo, mesmo a partir deste jardim à beira-mar plantado.

(*) Gestor e investigador

 

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