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Semanário no Papel - Diário Online

 

José de Paiva Netto

Fernando, Portugal e Brasil

30 de Novembro 2016

Em 30 de novembro, lembramos o falecimento de Fernando Pessoa. Por oportuno, apresento-lhes trecho de coluna que publiquei na Folha de S.Paulo, de 26 de junho de 1988, em homenagem ao célebre vate, reconhecido como “o mais universal poeta português”:

Quanto existiu, foi praticamente desconhecido do público. Nunca teve proclamado o seu grande valor em vida. A duras penas deram-lhe o “Prémio Antero de Quental”, Classe B, do Secretariado de Propaganda Nacional. Usaram de vários expedientes para negar-lhe o primeiro lugar. Mas a verdade surge, brilha sempre, e vai abrindo rasgos de luz nos tortuosos caminhos humanos. A vida da humanidade na Terra nunca foi fácil. Ela, porém, tem conseguido sobreviver. É bom que jamais nos esqueçamos disso.

Portugal, “Jardim à beira-mar plantado”, em dado momento da História alargou as fronteiras do progresso pela Terra e tem, latente dentro de si, todo aquele tesouro de Fé e Esperança resumidas na grandeza desses versos de Fernando Pessoa em:

Prece

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
“Tanta foi a tormenta e a vontade!
“Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
“O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
“Se ainda há vida ainda não é finda.
“O frio morto em cinzas a ocultou:
“A mão do vento pode erguê-la ainda.

“Dá sopro, a aragem — ou desgraça ou ânsia —,
“Com que a chama do esforço se remoça,
“E outra vez conquistemos a Distância —
“Do mar ou outra, mas que seja nossa!”


Já lhes expliquei que, nos meus escritos, emprego o termo ecuménico (vem do grego oikoumenikós) no seu sentido etimológico: “toda a Terra habitada” e “de escopo ou aplicabilidade mundial; universal”. Portanto, a missão de Vocês, ó Militantes Ecuménicos da Boa Vontade, é propagar a Política de Deus a todos os cantos. Ela é para o ser humano, mas, antes de tudo, para o seu Espírito Eterno. Fraternalmente renovado o indivíduo, a partir da Alma, transformada estará a Humanidade. É papel das novas gerações levar adiante a Ciência de Deus; entronizar a Economia de Deus; mostrar a verdadeira função pacificadora do Desporto; apresentar a Arte com o seu extraordinário ofício de caminhar à frente de importantes modificações; iluminar as consciências com a Cultura, que não é aquela apenas nascida da mente, contudo a fortalecida pelo sentimento, beneficiado pela Generosidade de Deus.

Vocês, Jovens de todas as idades, da Terra e do Céu da Terra, estão, de forma integral, capacitados para realizar a grande reforma que, consciente ou inconscientemente, é esperada desde que o mundo é mundo. Necessário se faz ter Jesus Dessectarizado como objetivo e compreender, em profundidade, o Seu desejo mais íntimo: o milagre pelo qual assimilemos o “amai-vos como Eu vos amei” (Evangelho, segundo João, 13:34). Servir a Jesus não é sacrifício. É privilégio!

Mar Português

Ó mar salgado, quanto de teu sal
“são lágrimas de Portugal!
“Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
“Quantos filhos em vão rezaram!
“quantas noivas ficaram por casar
“Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
“Se a alma não é pequena.
“quem quer passar além do Bojador
“Tem que passar além da dor.
“Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
“Mas nele é que espelhou o céu”.

Realmente, meu caro Pessoa, “tudo vale a pena, se a alma não é pequena”. O mar hoje são todos os povos da Terra à espera de mensagem de libertação da escravatura mental, que desgraça a Humanidade. E como é grande e viva a alma de Portugal…

E o Brasil, com todo o fulgor da juventude, tem energia dadivosa, que muito bem fará ao mundo quando soar a hora plena de sua missão, de coração do mundo e pátria do Evangelho-Apocalipse. (…)

Ora, o terceiro milénio um dia não há de ser esta miséria de dores e guerras que marcaram os homens com o traço da animalidade séculos e séculos de civilização de lobos.

Que quer a Legião da Boa Vontade com o seu Ecumenismo Irrestrito?

Justamente valorizar o Espírito Imortal do ser humano, seja qual for a sua nacionalidade, crença, descrença, ideologia, cor: “O que em mim sente está pensando”, advertia Fernando.

(*) Jornalista, radialista, escritor e presidente da Legião da Boa Vontade – www.lbv.pt [A pedido do autor, este texto é publicado segundo as regras do novo acordo ortográfico]