Coimbra  19 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Faz-de-conta e brincar com o fogo

1 de Agosto 2019

Nada pior do que o faz-de-conta. É enganar as pessoas. Também não fica bem ver adultos a brincar com o fogo, fazendo de conta que são bombeiros.

Há o programa “Aldeia Segura” e “Pessoas Seguras”, mas o material entregue para fazer face ao incêndios, de autoprotecção, não é de confiança

Mais uma vez se entrou no reino da propaganda – de ‘merchandising’, como agora se diz – e para isso serviu uma empresa de deporto aventura e turismo da natureza, promovendo actividades como escalada ou arborismo.

Ensina-se aos miúdos que com o fogo não se brinca, mas parece haver quem o faça: a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (que recentemente até ampliou o nome) e o Ministério da (des)Administração Interna.

Quem não cumpre bem o seu dever, atira a culpa para os outros: António Costa para os autarcas; Eduardo Cabrita para os jornalistas, pelas perguntas incómodas, e para a oposição, pelas críticas feitas.

Mas, sempre existe um culpado: o nomeado “técnico especialista” adjunto do secretário de Estado da Protecção Civil, um ex-padeiro numa pastelaria, líder do PS de Arouca que tudo fez para ajudar o chefe, o líder, o ex-autarca do seu concelho.

O que se passou, coisa pouca: 70 000 golas antifumo fabricadas sem material inflamável e sem tratamento anti-carbonização, que custaram 125 000 euros, foram entregues pela (des)Protecção Civil.

O andar a poupar no faz-de-conta dá nisto, porque a sério entregava-se material que protegesse efectivamente as pessoas. É como dar um chupa-chupa de plástico a um criança e perguntar: queres um? – Vai comprar.

 

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