Coimbra  12 de Abril de 2024 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Diniz Freitas

Farpas

8 de Março 2024
  1. Em meu entender, a sondagem mais eloquente e fidedigna sobre o resultado das próximas eleições, decorre da análise dos “debates” políticos que se sucedem e atropelam nos canais televisivos. Os “comentadores” de esquerda que enxameiam maioritariamente os ecrans da TV, não conseguem disfarçar a sua inquietude, ansiedade, angústia , desespero e pânico ante a mudança que se avizinha. Estes aficcionados, na adjectivação de António Barreto, atarantados com as projecções de um quase certo e inapelável desastre dos seus ícones, não debatem o essencial: ideias, temas, programas. Intentam sobretudo satirizar, apoucar e desacreditar a atrevida oposição, e por outro lado catequizar o povo. Ei-los desencabrestados a vender banha de cobra, a exaltar a caganificância do pormenor, a ruminar cabalas e tramas, a cacarejar pantominas, a malsinar e embustear, a remungir imprecações e verrina contra a oposição, pateticamente convictos de que as suas prédicas tautológicas, o seu catecismo bolorento, o seu retoricismo acaciano e a sua verbosidade perfunctória e inane, vão evitar o naufrágio. Estas patrulhas de turibulários de esquerda convenceram-se de que o povo jamais deixaria de ser obediente e submisso ao seu apostolado demagógico e populista. Os eleitores já entenderam, felizmente, que o fanatismo conduz à imbecilidade e ao caos, e que é urgente salvar Portugal.
  2. Atinge proporções demenciais e satânicas a guerra desencadeada por Putin. Este psicopata criminoso investiu, sem justificação e premeditadamente, sobre um país livre, autónomo e soberano, violou brutalmente os códigos internacionais, chacinou, crucificou e afugentou um povo inocente e pacífico, arrasou cidades, nomeadamente e sadicamente os seus hospitais, maternidades, orfanatos, lares de terceira idade, escolas, habitações e monumentos, utilizou armamento bélico proibido, impediu barbaramente o auxílio humanitário, e depois deste nefando acto afirma cinicamente que não é o agressor. Este monstro já devia ter sido julgado num tribunal marcial, e definitivamente enjaulado.

Tem sido emocionante a onda de solidariedade a nível mundial. A esmagadora maioria da humanidade sofre e chora com o povo ucraniano, vocifera contra Putin, e implora a paz. O nosso país tem sido exemplar no auxílio aos refugiados e no repúdio desta criminosa agressão. Uma minoria anedótica de fantoches e de fanáticos alienados, inculpa alucinadamente a NATO, os EUA e a União Europeia, e tenta justificar Putin. Entre eles destacam-se o PCP, que já testemunhou o seu apoio a este celerado, e o Bloco de Esquerda, que se opõe à NATO. Cabe perguntar: é com esta gente que este PS desgraçadamente e despudoradamente se propõe governar? Se assim é, cabe ainda perguntar: Se não existem linhas vermelhas à sua esquerda, que existiam no tempo de Mário Soares, com que legitimidade moral este PS exige de forma descarada e peremptória linhas vermelhas à direita? Ou já esqueceram o tenebroso passado da esquerda radical?

(*) Professor Catedrático jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra