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Hernâni Caniço

Exercício físico, panaceia ou chave mestra?

13 de Outubro 2023

Muito se fala de exercício físico, pouco se faz, nem sempre se faz bem, julga-se que bem se faz, dá-se a importância que se quer dar, vive-se por sacrifício ou por satisfação, esmera-se por vanguardismo e erudição ou por necessidade, predileção e realização.

O exercício físico para a saúde e bem-estar, em grau de importância, deve ser analisado, como prioridade nas doenças da civilização; em adaptação às características físicas e ao perfil psicológico da pessoa; no tipo, intensidade e duração, conforme cada pessoa individualizada; nas eventuais limitações de mobilidade e outras doenças já existentes; e na adequação ao horário laboral, tempo de lazer e conveniência familiar.

O exercício físico é ou deve ser uma prioridade na prevenção, cura e reabilitação de doenças da civilização pode ser considerado importante, por aplicação de conceito teórico e evidência, pela experiência individual devido a patologia já definida, ou por ter havido resultados positivos em intercorrência pessoal ou familiar. Ou pode ser visto como pouco importante, pela vida sedentária persistente, pela falta de adesão a programas específicos, ou pela vivência sem ganhos objectivos em saúde.

O exercício físico é ou deve ser adaptado às características físicas e ao perfil psicológico da pessoa, pode ser entendido como importante, por manifestação de força de vontade própria, pelo aproveitamento das vantagens e redução do risco em saúde, ou pelo conhecimento do biótipo próprio. Ou pode ser julgado como pouco importante, por indisponibilidade e desmotivação pessoal, por ter uma imagem de rigor indesejado e utilidade duvidosa, ou por não haver reflexos positivos imediatos.

O exercício físico é ou deve ser de tipo, intensidade e duração, conforme cada pessoa individualizada, pode ser encarado como importante, pelo bom critério de adaptabilidade pessoal, pela percepção de padrões standard e graus devidos, ou pela ausência de impacto negativo. Ou pode ser classificado como pouco importante, pela existência de mitos e crenças em saúde e doença, pela incapacidade de gestão pessoal e profissional, ou por haver formas variáveis e de dispêndio de tempo útil.

O exercício físico deve ter em conta eventuais limitações de mobilidade e outras doenças já existentes, pode ser marcado como importante, por se aplicar à própria pessoa, por haver doença crónica estabelecida e programa de exercício físico que contemple adaptação, ou ter uma relação benefício – risco favorável. Ou pode ser apontado como pouco importante, por ser ineficaz devido à degradação do estado de saúde, por provocar mal-estar e sofrimento, ou por não haver recursos logísticos para a situação específica.

O exercício físico deve ser adaptado ao horário laboral, tempo de lazer e conveniência familiar, pode ser encarado como importante, pela não interferência na dinâmica do dia-a-dia quotidiano, por permitir a manutenção das relações interpares, familiares e de amizades sem flutuação de percurso, ou por a pessoa se sentir bem. Ou pode ser olhado como pouco importante, por rejeição liminar, por tarefismo assoberbado, ou pelo estado de espírito para outros fins que não o exercício físico.

Em conclusão, independentemente do grau de importância que cada um lhe atribui, assumimos que, pela medicina baseada na evidência, o exercício físico promove saúde física e psíquica, previne doenças cardiovasculares, favorece o controlo de diabetes, hipertensão arterial e hipercolesterolemia, diminui a ansiedade, a depressão e as perturbações do sono, melhora o rendimento laboral e escolar, e fortalece ossos, articulações e músculos.

Não é uma panaceia, e pode ser a chave mestra para a saúde e bem-estar. Pelo que vale a pena.

(*) Médico