Coimbra  12 de Maio de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Evocados em Souselas e Botão valores humanísticos da árvore, floresta e da poesia

26 de Março 2021

No passado dia 21, num esplêndido domingo de sol, comemorou-se na União de Freguesias de Souselas e Botão duas datas importantíssimas na História da Humanidade:

– Os 108 anos do Dia da Árvore, que teve início em Portugal nos tempos da I.ª República, embora a sua origem remonte a 1872, quando o jornalista e político Julius Sterling Morton, incentivou a plantação ordenada de árvores no estado norte-americano do Nebraska, promovendo o Arbor Day;

– Os 22 anos do Dia Internacional da Poesia, criado em 1999 na 30.ª Conferência Geral da Unesco.

Recorde-se que cerca de 30% da superfície terrestre está coberta por florestas, os “pulmões do mundo”, essenciais para o equilíbrio ecológico e ambiental, e qualidade de vida das populações. Não temos, na verdade, cuidado bem do planeta a este nível, bastando olhar para as nossas florestas, onde espécies não autóctones como o eucalipto, associadas à desertificação de alguns locais, destruíram, devido às mais valias económicas, ecossistemas primitivos, onde dominavam carvalhos, azinheiras e sobreiros.

E, também outras espécies, como os medronheiros, que foram plantados na referida União de Freguesias, numa iniciativa das secções do Partido Socialista de Souselas e Botão: primeiro, na Marmeleira, com a ajuda das crianças do ATL do CSM, e depois na Mata de S. Pedro, no maior baldio do município de Coimbra, com apoio da Comissão que vem gerindo, há gerações, um legado antiquíssimo da comunidade local, regulado segundo os seus próprios usos e costumes colectivos, desde apascentação de gados e aproveitamento dos recursos disponíveis como lenhas, culturas diversificadas, matos e florestas.

Os medronheiros plantados, oferecidas pela ESAC, foram baptizados com os nomes de Esperança, Resiliência e Resistência, e assim correlacionados com os tempos difíceis que vimos atravessando, homenageando, desta forma singela, as famílias que têm sofrido com a crise pandémica, os profissionais da saúde, auxiliares…

Naquele domingo também se assinalou o valor da poesia, qual árvore com folhas lavradas a poemas. E Portugal tem sido uma nação que deu ao mundo grandes poetas/poetisas: quem não conhece Luís de Camões, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Natália Correia, Sofia de Melo Andersen ou Miguel Torga? – homens e mulheres que nos ensinaram a importância da livre criação de ideias através de palavras, da criatividade, do poder da linguagem, da própria compreensão do mundo.

Para abrilhantar esta comemoração foi convidada a poetisa Maria Emília que declamou, na ocasião, dois poemas da sua autoria, que foi antecedida pela intervenção do autor deste artigo, na qualidade de historiador.

Em representação da Câmara Municipal usou, também da palavra David Ferreira da Silva que trouxe a boa nova de significativos investimentos para a zona norte do município de Coimbra, com especial incidência na área social da Marmeleira.

(*) Historiador e investigador

21 - FOTO 1 Baldio da Mata de S. Pedro

 

Plantação de medronheiros no Baldio da Mata de S. Pedro

 

21 -FOTO 2 Parque infantil do Centro Social da Marmeleira

Plantação de medronheiros no Parque Infantil do Centro Social da Marmeleira