Coimbra  1 de Março de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Pedro Coimbra

Eu, deputado da Assembleia da República, e a “minha” vacina

28 de Janeiro 2021

Abdiquei da toma da vacina enquanto Deputado da Assembleia da República que, independentemente dos critérios que vierem a ser estipulados, eventualmente me pudesse vir a ser destinada na qualidade de titular de cargo num Órgão de Soberania!

Que não se entenda a minha opção como uma cedência ao “mal dizer” e ao populismo “reinante”.

Menos ainda, como uma capitulação a quem mais o incentiva com base na demagogia e no ódio – a extrema direita e alguma direita tradicional e conservadora, que condeno e combato de forma veemente!

Entendo, já não de agora, que os principais responsáveis políticos da “frente de combate” devem (já deviam ter sido!) vacinados.

Estamos em “guerra” contra uma pandemia!

Temos um “exército” a combatê-la!

Pelo que, os “Generais” deste exército têm de estar o mais a salvo possível para o poderem comandar.

Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Primeiro Ministro, Ministros de Estado, Ministra e Secretários de Estado da Saúde, outros membros do Governo com competências directas na gestão e combate da pandemia, bem como com responsabilidades na Presidência Portuguesa da União Europeia, Presidentes de Câmara (que são os responsáveis máximos pela Protecção Civil nos seus concelhos), Presidentes de Junta (sempre na frente do “combate”) entre outros responsáveis que se justifique, devem ser vacinados o quanto antes.

Claro que a minha posição é apenas individual!

Acho lógico e bem, que outros colegas Deputados, independentemente dos seus Partidos, sejam vacinados se assim entenderem.

Há Deputados que pertencem aos grandes grupos de risco.

E um Deputado, fazendo o seu trabalho (como bem sabem os que me conhecem, eu faço o meu dando sempre o meu melhor, como tantos outros) tem importantes competências institucionais na República e contacta com muita gente, mesmo que cumprindo as regras impostas de confinamento, de proteção e de distanciamento social.

Eu, que saiba, não pertenço a nenhum dos principais grupos de risco. Embora também saiba que isso já não é o suficiente!

Claro que também temo o vírus. Não só por mim!

Mas por aqueles com quem contacto e, sobretudo, pelos que me são mais próximos – a minha Família: Filho, Mulher e Pais (ambos pertencentes a vários grupos de risco e com os quais não estou há semanas, passando-se meses sem contacto presencial).

Também não farei como outros!

Não digo que prescindo da toma da vacina, para procurar uma “porta do cavalo” para “entrar”.

Também não condeno nem “aponto o dedo” àqueles que não pertencendo a grupos de risco nem estando na “frente de combate” estão, porém, incluídos no plano de vacinação e, tendo sido chamados, optaram por ser vacinados o que, por isso, não configura nenhuma ilegalidade, sejamos claros.

Apenas pensamos diferente!

Há ainda alguns profissionais de saúde do SNS por vacinar.

Nenhum profissional de saúde do sector privado foi vacinado e estes também estão, exactamente do mesmo modo, na frente de combate.

Há ainda bombeiros, forças de segurança, trabalhadores da recolha de resíduos sólidos, idosos, doentes crónicos de risco, entre tantos outros em funções estratégicas, a quem ainda não foi possível administrar a vacina porque a entrega das mesmas por parte dos laboratórios farmacêuticos ainda não foi assegurada.

A título de exemplo de milhares de portugueses, o meu Pai, médico obstetra e ginecologista nesta fase da vida apenas com exercício de clínica privada, pertencente a vários grupos de risco, embora diminuindo o ritmo de trabalho, continua a acompanhar grávidas e clientes cuja ética profissional não permite deixar ao abandono, algumas das quais já infectadas.

Apesar da ajuda do meu Irmão, seu colega de profissão e de trabalho – que já foi vacinado por esse sim estar ligado ao SNS – não há capacidade para chegar a todo o lado e quem precisa de cuidados de saúde não pode ser deixado “à sua sorte”.

Da minha parte, como utente do SNS e do Centro de Saúde de Penacova, aguardarei que o meu Médico de Família – Dr. Francisco Araújo (notável o que tem feito como médico e como Coordenador do Centro de Saúde; como é igualmente notável o trabalho da equipa que o acompanha e de tantos profissionais de saúde por este País fora) me chame para levar a vacina quando chegar a minha vez.

E que a minha vez chegue rapidamente, é o que desejo!…

Nessa altura sim, quando chegar a minha vez enquanto cidadão e utente do SNS, irei a correr!!!

É o que penso!

É o que farei!

(*) Deputado do PS eleito por Coimbra