Coimbra  24 de Fevereiro de 2024 | Director: Lino Vinhal

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Pedro Lopes

Estratégia de Vacinação da Direcção Executiva do SNS falhada

2 de Fevereiro 2024

Diz-nos a história que, independente do quadrante político que está no poder, existe uma tendência natural para a criação de novas políticas de saúde mesmo que as vigentes sejam um sucesso. Na Vacinação foi isso que aconteceu!

A Vacinação em Portugal sempre fez parte das competências dos Cuidados de Saúde Primários do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mais concretamente do conjunto de competências dos Enfermeiros e, por isso, o País teve nos últimos anos das maiores taxas de adesão à Vacinação no mundo.

No ano de 2023, por opção política, a Vacinação Sazonal do Outono – Inverno contra a Gripe e a Covid-19, começou a ser paga por todos nós no privado, sendo desviada para as farmácias comunitárias. Em relação a 2022, Portugal baixou, em média, nove pontos percentuais na cobertura vacinal da Gripe e da Covid-19, nas pessoas com mais 65 anos. Facto que levou a que, pela primeira vez em cinco anos, não fosse cumprida a meta definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para a Cobertura Vacinal no nosso País.

Portugal, no início de Dezembro, entrou na fase mais crítica da gripe sem taxas de vacinação seguras da Gripe e da Covid 19. Estas taxas de vacinação ocasionam um aumento de afluência de pessoas ao serviço de urgência por patologia do foro respiratório, bem como a complicações respiratórias que aumentaram o número de doentes nos Cuidados Intensivos.

Em Dezembro de 2023, a Direcção Executiva do SNS, pela baixa adesão, foi obrigada a activar os Centros de Saúde para a realização da Vacinação, o que levou a um aumento da Vacinação, mas perdeu-se o tempo de resposta e protecção da população.

O acto de Vacinar nos Centros de Saúde é muito mais do que a administração de uma vacina. Para além da monitorização das possíveis intercorrências inerentes à administração, permite ao Enfermeiro de Família ter contacto com as suas famílias, permite observar as pessoas, realizar triagem de outras questões relacionadas com a saúde, realizar ensinos, intervir na comunidade, reduzindo possíveis comportamentos de risco, promovendo a saúde e prevenindo a doença. A Vacinação nas Farmácias permite o quê? Será a DGS (Direcção-Geral da Saúde) capaz de justificar porque alterou um procedimento de sucesso? E a que custo o fez? O Ministério da Saúde já iniciou estudos que apresentem a justificativa do aumento da taxa de mortalidade neste período em relação a períodos homólogos?

A estratégia de Vacinação Sazonal contra a Gripe e contra a Covid-19 foi um erro. Esperemos pela devolução da Vacinação ao SNS, aos Enfermeiros dos Cuidados Primários, pela Saúde e Segurança das Pessoas, das nossas Famílias, dos nossos Utentes.

 

(*) Tesoureiro do Conselho Directivo da Secção Regional Centro da Ordem dos Enfermeiros