Coimbra  22 de Setembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Mário Carvalho

Espinhal – Feira do Mel: resiliência dos territórios de baixa densidade

3 de Setembro 2019

Mel Espinhal

No passado fim-de-semana realizou-se mais uma vez a Feira do Mel do Espinhal, naquela que alcança já a sua 30.ª edição e numa das que será certamente das feiras mais antigas subordinada a este magnífico e delicioso produto.

Sendo um dos principais eventos do concelho de Penela e da região Centro no que toca à promoção e valorização deste produto, associa ao tema principal todo um conjunto de valências ao nível da gastronomia e outros produtos locais e regionais.

As tradicionais Tasquinhas, onde entre outras coisas se pode degustar uma boa sopa à lavrador enfeitada com alguns nacos de carne de porco; ao nível cultural, pelas diversas iniciativas que passam pela arte e pela música, onde a freguesia do Espinhal é detentora de uma das mais antigas Orquestras Filarmónicas; ao que acresce outras iniciativas do foro mais formativo e pedagógico, como é o caso das florestas.

Ou seja, mesmo com o problema da vespa asiática que veio ensombrar Portugal e a região Centro em particular – onde em Penela os apiários têm registado uma forte presença desta praga invasora com efeitos são devastadores -, este tipo de iniciativas vai mantendo vivo todo um interior e/ou os territórios mais desprovidos de população numa altura em que se fala de descentralização como trampolim para uma suposta e futura regionalização.

É pois pertinente falar de resiliência da parte destes territórios que quer queiramos quer não quer, quer se goste ou não de ouvir, têm desde há muito sido vistos sempre num segundo olhar mais longe e mais distante.

Tendo sido publicado muito recentemente pelo INE um estudo estatístico relativamente ao rendimento ao nível local ao nível dos 308 municípios portugueses, no qual existem diferenças “para baixo” no que aos concelhos situados mais em direcção ao Interior dizem respeito, mantendo-se as assimetrias que não são de agora e dão consistência à tese sobre que muita coisa continua por fazer em prol destas regiões. E para que se saiba, segundo os “Percentis de Rendimentos Bruto Declarado e do Rendimento Bruto declarado deduzido do IRS liquidado por agregado Fiscal, 2017”, relativamente à Região de Coimbra, que incorpora 18 Municípios, destacam-se, no topo, Coimbra, Figueira da Foz e Condeixa-a-Nova; seguindo-se Montemor-o-Velho, Soure e Lousã; Mira, Cantanhede, Penacova, Poiares; Miranda do Corvo e Pampilhosa da Serra; e no grupo dos com menores rendimentos: Penela, Góis Tábua, Arganil e Oliveira do Hospital. Existindo ainda diferenças assinaláveis entre os Municípios que fazem parte da região demarcada “Terras de Sicó”, nas quais podemos destacar Condeixa-a-Nova com maiores rendimentos e Penela no patamar mais inferior.

Então, e voltando ao inicio da “conversa”, não podemos imaginar sequer todas estas regiões sem a promoção e acarinhamento de iniciativas e eventos deste género.

O mel genuinamente português tem de continuar a ser valorizado e defendido, pois para além do produto de excelência que é representa também a marca de Portugal e das suas regiões!

(*) Vereador do PS em Penela

 

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