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Semanário no Papel - Diário Online

 

Mário Carvalho

“Espelho meu, espelho meu”…

7 de Setembro 2017

Em pleno período pré-eleitoral, é normal cairmos no bairrismo exacerbado e, muitas vezes, rumarmos para dentro. Saber ouvir é uma virtude.

Agimos, assim, pondo temporariamente de parte o facto de vivermos num mundo globalizado à escala mundial.

A nossa cidade, a nossa vila, a nossa aldeia, a nossa freguesia são sempre colocadas na crista da onda da retórica da conquista da simpatia do eleitorado. E, obviamente, não é daí que o mal vem ao mundo. No entanto, esquecemos, por vezes, que, hoje em dia, já não se pode falar isoladamente do meio que nos envolve nos seus diferentes horizontes.

Vem isto a propósito como resultado pós-leitura de alguns artigos sobre competitividade entre cidades e da forma como as coisas se processam.

Não sendo nós especialistas em economia, resta-nos, pois, analisar e estudar os escritos dos entendidos e retirar para nossa própria avaliação as evidências que, em nosso entender, se coadunam com o que pensamos.

Uma das frases que nos habituámos a ouvir, e citando Luís Todo Bom, num dos seus artigos, é sobre a necessidade de “inverter, com urgência, a situação de perda de competitividade internacional das nossas cidades e áreas urbanas”.

Trata-se de frases sempre acompanhadas da premência de investimento em novas tecnologias, inovação, formação, internacionalização, avaliação, qualidade, plano e planeamento estratégico, “cluster”, “incubadora”, etc.

Portanto, o paradigma mudou e a economia veio para ficar, lançando e cimentando a competitividade como motor económico nos seus diferentes vectores.

E também como aludem alguns autores, hoje, está quase tudo inventado e inventariado no tocante às variáveis de competição entre cidades e/ou regiões.

Assim, segundo Todo Bom, desde 2004 (note-se o espaço temporal decorrido até agora) “as cidades competem entre si na disputa pelo investimento, pela localização de centros de decisão, de organismos públicos de referência, pela atracção do conhecimento e da inovação, pelo desenvolvimento do imobiliário e empreendimentos turísticos de elevada qualidade, pelos centros de cultura e excelência, podendo todas estas entidades serem nacionais ou internacionais”.

Obviamente, que passada uma dúzia de anos, novos termos se foram juntando e, com base no que aprendemos, a “visão” de futuro parece ser o ponto de partida para o desenvolvimento de qualquer cidade ou vila, aldeia ou freguesia, acompanhada do devido planeamento estratégico, ou não, para a colocar em prática.

E dizer isto porquê? Porque, neste momento de luta política, há sempre aquela tendência de reduzir ou condicionar o discurso retirando-lhe flexibilidade no que concerne a uma visão mais alargada das coisas. A tendência será sempre dizer: “espelho meu, espelho meu, há alguém mais belo do eu”?

Em suma, o debate político fica sempre mais dentro de portas, adiando ou deixando em banho-maria a visão mais alargada ou integrada. Hoje em dia, nada pode ser feito isoladamente sem olhar para o lado a uma escala cada vez mais global.

Não se pode ter Penela, Lousã, Miranda do Corvo, Condeixa, Soure, Tábua, Oliveira do Hospital, Cantanhede, Figueira da Foz, Mira, Pampilhosa da Serra, Góis, Penacova, Arganil, fortes, “per si”, sem uma Coimbra (capital de distrito) forte.

Transversalmente, todos temos de lutar por uma Coimbra a liderar a região Centro. E isso faz-se, também, construindo em cima da diferença, no respeito ideológico, no saber ouvir as partes, com argumentação sustentada, mas, ao mesmo tempo, sem cair na política de baixo nível (que nada diz e afasta o cidadão).

Chamar nomes ao adversário, tais como, “capataz”, “feitor” ou “pára-quedista”, não apresenta qualquer valor acrescentado e apenas indicia nervosismo e apura a fraqueza da argumentação. O caminho não deve ser por aí.

Voltando atrás, e para terminar, a título de exemplo, ter a visão de um aeroporto com dimensão, e não discutimos se é à escala nacional ou internacional, pode ser, sem dúvida, uma “mais-valia” para a região Centro, a “visão” de que falámos como motor de desenvolvimento à escala regional, sabendo de antemão que Portugal não pode ser só Lisboa e Porto.

(*) Autarca do PS

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