Coimbra  5 de Dezembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Em defesa da Liberdade de Expressão

9 de Abril 2021

No passado domingo perfez uma semana que fui anunciado como candidato socialista à União de Freguesias de Souselas e Botão. Desde então publiquei três artigos de opinião, dois no Campeão e um no Despertar, dando sequência a vários anos de colaboração continuada nestes órgãos de comunicação social – que pretendo manter dentro do rigoroso cumprimento da lei vigente.

Encabeçar uma lista eleitoral não é, nem nunca foi, um sinónimo de parar de opinar, silenciar, afastar ou excluir. Se o fosse, ofenderia os valores mais nobres da democracia firmados na lei fundamental do estado: a liberdade de expressão, de participação, de divulgação e informação.

Fui, sou e serei um democrata. Fui, sou e serei um colaborador da imprensa. Fui, sou e serei um estudioso da nossa cultura. Fui, sou e serei um freguês de gema. Fui, sou e serei candidato. Por muito que custe a aceitar, por muito que tentem desestabilizar, por muito que me tentem ofender, gratuitamente, ou diminuir, difamatoriamente, ou inventar, doentiamente. Escrever, dizia, Miguel Torga é um acto ontológico. Escrever, digo eu, é um acto de coragem, pois fica o registo perene do pensamento, da reflexão – sem rodeios, sem medos, sem coações.

Nunca tive problemas ao longo de anos de dedicação ao periodismo, em concreto com o Grupo Mediacentro, que me honra e que tenho procurado honrar dentro das minhas humildes possibilidades. Mas sei que muitos dos meus artigos serviram de suporte a trabalhos jornalísticos, programas radiofónicos, iniciativas escolares, bibliografia de referência à protecção patrimonial – como a recente proposta da CMC para a classificação da Igreja de Botão como Monumento de Interesse Público!

Tendo passado a cidadão com responsabilidades políticas, serei o primeiro a suspender os artigos de opinião quando chegar o tempo da campanha eleitoral, pois sou um cidadão cumpridor e conhecedor dos seus limites.

Com esta posição desejo que alguns espíritos, mais agitados e intranquilos, sosseguem e continuem a desempenhar as suas funções políticas, com responsabilidade, isenção e sentido ético.

Vivam, pois, as conquistas de Abril em defesa da liberdade de expressão!

(*) Historiador e investigador