Coimbra  4 de Julho de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Cândido Ferreira

Eles sabem tudo?

31 de Dezembro 2019

Caros amigos:

Perante o frenesim populista do Presidente da República, a bênção da A25A, o recente quebrar de tabus pelos “controleiros” da TV e, sobretudo, as últimas declarações de Francisco Louçã, já dúvidas não restam sobre o “PREC” em curso.

António Costa, sem outros trunfos na manga, opta hoje claramente por uma “nova edição” de Sampaio da Nóvoa, abrindo caminho à candidatura de Louçã. A fazer-se de morto, uma vez mais o PS nada arrisca e, mesmo a surgir no futuro uma qualquer “Maria de Belém”, sempre abafará as vozes dos descontentes sem nada oferecer ao BE.

Nesta encomenda, em que o atual Presidente é quem mais lucra, BE e PS contam certamente com o PSD, que assim retempera forças e pode até reclamar uma vitória, no final. E para que a orquestração surta efeito em toda a linha, todos acreditam que André Ventura, inábil à maneira de Marinho Pinto, em vez de se esforçar numa alternativa credível de Governo, se espalhe ao comprido como candidato presidencial: para no final de uma candidatura polémica, na melhor das hipóteses sair como líder de uma direita radical e totalmente afastada da governação.

Já o PCP, como de costume, cairá na esparrela de imolar um qualquer dos seus cordeiros, rejeitando associar-se a alternativas cívicas e unitárias que não controle.

Finalmente, os despropositados ataques ao Juiz Carlos Alexandre por parte de Francisco Louçã, mais do que a confirmação em definitivo da sua total ausência de sentido de Estado, obriga-nos a outro tipo de reflexões:

A associação desse magistrado a André Ventura é um ato irresponsável e falho de ética, que não resiste a qualquer confronto com a realidade; mas, pior do que isso, é a prova provada de que este “senador da República” não hesita em julgar cidadãos na praça pública e, sem quaisquer provas, incendiar o que se salva da Justiça portuguesa e desse modo pagar um frete à cleptocracia reinante.

Pensam eles que sabem tudo… e que comem tudo. Mas será mesmo que estamos condenados a ouvir a mesma orquestra desafinada e os artistas de sempre?

Será que não é possível pôr fim a este “vira-o-disco-e-toca-o-mesmo”, abrindo espaço a uma candidatura presidencial capaz de promover os valores da cidadania e de devolver Portugal aos portugueses?

Um abraço a todos e desculpem lá este meu abanão, em finais de 2019.

Sejamos otimistas! Coragem e feliz 2020!