Coimbra  21 de Outubro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

E se BC ganhar novas eleições?

22 de Maio 2018

Tenho para mim que os clubes, os de futebol, estão muito agarrados às suas claques, dependem muito delas e apoiam-se demasiado nelas.

É preciso falar a linguagem da verdade, apesar disso trazer complicações, desilusões, achaques a alguns, revolta de outros e incontido desassossego para outros tantos.

O nosso futebol desceu à rua, mas ao pior lixo que se pode encontrar por aí.

O nosso futebol está conotado com drogas, armas e violência, porque se atrelou ao pior que existe no seu interior, as claques. Algumas dão exemplo, mas poucas.

O nosso futebol apodreceu pelos interesses que se movem, nesse seio vicioso, mafioso e criminoso.

Os ‘hollings’, os de Inglaterra, acabaram os seus dias, depois de terem espalhado horrores, distúrbios, violência, mortes e feridos, desacatos, destruição e muitos milhões de prejuízo.

O Reino Unido, a justiça do País e as Entidades governativas, souberam lidar com a situação. Proibiram que esse tipo de energúmenos assistissem a jogos de futebol e puniram, com severidade, os seus actos. Muitos foram afastados dos recintos da bola.

O futebol inglês está apaziguado, faz anos.

O mesmo aconteceu em Itália.

Aqui, neste nosso pequeno rectângulo, apesar do esforço das nossas forças policiais, principalmente PSP e GNR, muitas vezes com os seus Corpos de Intervenção e de Unidades Especiais de Polícia, os casos de vandalismo, de violência, de temor, de agressões e de mortos e feridos, ainda não se estancaram as atitudes selvagens dessa turma – a maioria – de meliantes. Muita gente pacífica deixou de frequentar os estádios, por medo. Eu, sou um deles.

Vejamos só: quem exige que se activem, antes e depois dos jogos, com um reforço policial que custa milhões/ano aos cofres do Estado, portanto aos nossos bolsos, caixas de segurança? As claques é que obrigam a esse dispositivo de segurança. As restantes pessoas encaminham-se para os estádios ordeira e em cidadania.

Vem isto a propósito do que se está a passar no Sporting Clube de Portugal.

Assim, e se por acaso, o actual presidente cair e, em razão disso, se agendarem novas eleições e, no final desse acto, por força das claques verdes-leoninas, a mesma figura alcançar o mesmo lugar?

Coloquem, em primeiro plano, ordem nas claques e nos seus dirigentes e membros e, depois, que a festa do futebol, o português, prossiga, longe destes ‘hollings’, ‘made in’ Portugal.

Se nada for feito… o nosso futebol tenderá a ter azares e cenas como as que ensombraram a Academia do Sporting.

E se puséssemos ordem na casa do futebol com a colaboração da Justiça e das entidades desportivas… não seria bem melhor para todos?