Coimbra  17 de Maio de 2022 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Jorge Gouveia Monteiro

É a vez da rede viária da margem esquerda de Coimbra

1 de Abril 2022

Nesta planta apresentam-se a cheio as vias existentes e a ponteado as vias previstas que estão por construir

Ao longo dos últimos 40 anos, a metade esquerda da cidade de Coimbra cresceu de forma desplaneada e foi sendo retalhada por vias rodoviárias pensadas para o tráfego rápido de passagem e não para os seus habitantes (via rápida para Taveiro e A1, concluída em 1985; troço do IC2, concluído em 2010).

O resultado é o grande aumento das despesas das famílias com combustível e da poluição decorrente, a enorme dificuldade em organizar transportes colectivos com percursos eficientes e fiáveis, para já não falar na prática impossibilidade de pôr em prática modos de mobilidade suave, em bicicleta ou pedonal.

Toda a gente anda de roda, às voltas pelas vias supostamente rápidas, para depois se engolfar em ruas e ruelas sem desenho urbano digno desse nome. São quase 30 mil pessoas.

Quando digo toda a gente refiro-me aos que lá moram, mas também aos milhares que para ali se dirigem em busca das escolas do Politécnico e de Enfermagem, do Hospital Geral dos Covões e dos Centros de Saúde, do iParque e do Observatório Astronómico, da Bluepharma e de muitas outras empresas, da Feira dos 7 e 23.

Em 1994, o Município inscreveu no seu Plano Director Municipal a “via estruturante Santa Clara – São Martinho do Bispo”. Inscreveu e pronto. Em todos os 28 anos seguintes, ela lá vem figurando nos orçamentos camarários, com 10 euros a atestar o esquecimento em que caiu.

Este é o momento de agir. Por várias razões. O aumento brutal dos custos dos combustíveis. A urgência de organizar transportes coletivos de qualidade para esta metade da Cidade, incluindo a previsão de expansão do Metro para Sul. A revalorização do Hospital Geral dos Covões. A redução do tráfego automóvel na Guarda Inglesa e na margem do Mondego.

Cumprindo a sua missão de dar expressão à participação dos cidadãos e das cidadãs na vida de Coimbra, o Movimento Cidadãos por Coimbra – CpC – vai realizar, no próximo dia 7 de Maio, na sede do Vigor da Mocidade, em Fala, um debate aberto sobre a nova via estruturante, traçado, vantagens, condicionantes e riscos. Esteja atento.

(*) Movimento Cidadãos por Coimbra