Coimbra  26 de Setembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

E a sardinha de escabeche?

21 de Dezembro 2016

Recentemente, o processo de fabrico do barro preto de Bisalhães, em Vila Real, foi inscrito na lista do Património Cultural Imaterial da UNESCO, assim como a falcoaria portuguesa, numa candidatura apresentada pelo Município de Salvaterra de Magos.

No ano passado foi classificada pela UNESCO o fabrico de chocalhos em Portugal, ofício e manifestação cultural que tem no Alentejo a sua maior expressão a nível nacional, e, em 2014, tinha sido a vez do cante alentejano, depois de em 2011 ter sido o fado e, em 2013, a dieta mediterrânica.

Isto tudo para já não falar da classificação como património da humanidade da Alta Universitária de Coimbra e Sofia (2013) e, recuando ainda mais no tempo, do centro histórico de Angra do Heroísmo (Açores), do Mosteiro da Batalha, do Mosteiro dos Jerónimos/Torre de Belém (Lisboa), do Convento de Cristo (Tomar), do Mosteiro de Alcobaça, da paisagem cultural de Sintra, do centro histórico do Porto, dos sítios pré-históricos de Arte Rupestre do Vale do Rio Côa, da Floresta Laurissilva da Madeira, do centro histórico de Guimarães, do Alto Douro Vinhateiro, da paisagem da vinha da Ilha do Pico (Açores) e da maior fortificação abaluartada do mundo, em Elvas.

Na forja estão outras candidaturas, como as ruínas romanas de Conímbriga, e até se fala que Lisboa quer também propor a calçada à portuguesa (que existe em todo o país).

“E, então, a sardinha de escabeche?” – como questiona um amigo meu, lembrando um petisco tradicional que os estômagos actuais já não aguentam. E por que não Portugal? – perguntamos nós, evitando-se assim dar mais trabalho aos senhores e senhoras da UNESCO.