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Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Avelar

Dois Passos e a mesma medida

17 de Janeiro 2017

Quando era governante, Pedro Passos Coelho preconizava a redução da TSU. Em 2016, tolerou-a; em 2017, abomina-a. A coerência do líder do PSD é chão que já deu uvas.

Passos Coelho até a praticou, num contexto semelhante ao actual, em que promete juntar-se ao Bloco de Esquerda e ao PCP para pôr em xeque uma medida negociada em sede de concertação social.

A 23 de Dezembro [de 2016], outro dirigente do PSD, Marco António Costa, preconizou que tal medida – redução em 1,25 por cento da taxa da TSU, a pagar pelas entidades patronais, inerente à actualização do salário mínimo – abranja as instituições particulares de solidariedade social.

Pelo Natal, aos olhos dos dirigentes do PSD, a iniciativa do Governo era, pelo menos, aceitável; mas… aproxima-se o Carnaval.

A incoerência de Passos Coelho foi posta a ridículo por, entre outros, Luís Marques Mendes e José Silva Peneda (antigos ministros de governos do Partido Social-Democrata).

Há dois Passos para a mesma medida. E não é pela natureza dela. É porque a conjuntural criação de uma adversidade ao XXI Executivo leva Coelho a deslumbrar-se com uma “vitória de Pirro”.