Coimbra  6 de Dezembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Américo Baptista dos Santos

Dia do Antigo Estudante de Coimbra: Ponto de vista para proposta de unidade (XXIII)

12 de Novembro 2021

Palavra aos antigos presidentes (continuação). Tiago Magalhães – 1994/ 1995: “… Há 100 anos os participantes da Tomada da Bastilha não poderiam adivinhar… Mas o que eles sabiam, como outras gerações que em outros momentos também lutaram pelo mesmo direito, é que o espaço que a AAC proporciona é fundamental. Estou certo que a academia vai continuar a honrar esse dia de há 100 anos e fazer uma Associação Académica ainda mais forte, dinâmica, solidária e participativa”.

António Silva – 1997/1998: “… O espírito da Tomada da Bastilha é o espírito de uma Academia de causas que nos Estudantes de Coimbra moldou e forjou carácter, convicção e orgulho, uma força inexplicável e um sentir único que a todos aportou como referência e marca de identidade para toda a vida! Em cada um de nós estará para sempre uma bastilha que a Academia de Coimbra em nós moldou e forjou para toda a eternidade”…

Humberto Alexandre Martins – 2000/2001: “Recordar a noitada da Tomada da Bastilha é muito mais do que comemorar uma data ou ritual anual em Coimbra. Os archotes que abrem caminho na escuridão, o assalto à Torre da Universidade e o repique da Cabra que sobressalta os adormecidos são a sublime síntese do que todos fazemos em Coimbra. Cada geração conquista a sua Bastilha quando alumia novos caminhos para o país e o mundo, quando sobe à altura das utopias que concretiza e quando dá voz sonora à liberdade que incomoda os resignados. Voltar às Bastilhas dos anos de 2000 e de 2001 transforma-se num corrupio de memórias que, seguramente, precisariam também de um segundo andar para encontrarem espaço condigno neste texto”…

Victor Hugo Salgado – 2002/2003: “A Tomada da Bastilha é, sem dúvida, um dos momentos mais marcantes para qualquer aluno da Universidade de Coimbra. Não só pela tradição que repercute este ato, com as comemorações do dia 25 de Novembro de 1920, momento em que os Estudantes de Coimbra se mobilizaram pela calada da noite para conquistarem por si uma sede para a Associação Académica de Coimbra, mas, também, pelo simbolismo do momento, revestido de sentimento académico profundo que envolve cada passagem dessa noite”…

Miguel Duarte – 2004: “… Espero que as gerações futuras consigam quebrar elas próprias muitas convenções e fronteiras que foram criadas para a própria Associação Académica de Coimbra e procurem maior proximidade ao legado original – esse que foi construído em 25 de Novembro de 1920”.

Com a crónica de hoje viramos o século. Não é possível ser exaustivo nas citações. Esta viragem demonstra uma fantástica unidade: de princípios, de causas, de espírito, dessa imaterialidade transcendente, dessa alma como sentimento muito íntimo, de todos os presidentes, impregnados de uma generosidade, por vezes, arrepiante.

Este trabalho de investigação e procura está a ser de um enorme rejuvenescimento. À solidão da construção junta-se o abeirado dos companheiros. Dum companheirismo nascido da partilha do leitor, que nem sempre compreende quando lhe dizemos: manda-me isso.

Já muitos o fizeram. Se nós não tivermos capacidade de lhe dar vez, temos de duvidar do nosso talento e aceitar a nossa inaptidão para reembolsar a benesse de um dia termos sido Estudantes de Coimbra, atletas da Académica e beneficiários de tantos momentos de afecto.

Ex-Presidente da AAEC